A febre das figurinhas da Copa do Mundo de 2026 já tomou conta dos torcedores, mas o alto custo do álbum e dos pacotes tem levado os apaixonados por futebol a buscar novas estratégias para completar suas coleções. O tradicional costume, que remonta aos anos 1950 no Brasil, evoluiu e agora exige criatividade para driblar o orçamento.
O álbum deste ano conta com 980 cromos, e os pacotes com 7 unidades são vendidos a R$ 7. O valor total para completar a coleção pode ultrapassar a casa dos R$ 1.000, o que desanima muitos, mas não impede a paixão. Em pontos de troca como a Banca do Metrô Tucuruvi, famílias e colecionadores experientes se reúnem em busca de figurinhas repetidas.
Larissa, que faz o álbum pela primeira vez com o marido e o filho pequeno, vê a coleção como uma forma de registrar a primeira Copa do filho. “A gente quis fazer o álbum para guardar de recordação da primeira Copa dele, então a gente está aqui para tentar trocar figurinhas e completar”, conta. A emoção de abrir um pacote e a sensação de completude são indescritíveis para muitos, como para Maria do Socorro, 65 anos, que coleciona desde outras Copas e valoriza as amizades feitas nas trocas.
Encontros e estratégias para economizar
Bruno Novaes, 31 anos, coleciona desde 2010 e completa álbuns através de trocas e, em alguns casos, vendas entre torcedores. Ele relata que, embora a troca seja o ideal, alguns torcedores agem como “comerciantes” e cobram valores exorbitantes por figurinhas, o que pode desvirtuar a emoção da coleção. “Eles querem abusar, aí estraga um pouquinho da emoção de troca”, lamenta.
Tiago, que já completou cinco álbuns de Copas passadas, considera que comprar pacotes pela internet pode ser mais vantajoso devido a cupons de desconto, enquanto as bancas de jornal vendem pelo valor cheio. Em shoppings, como o Metrô Tucuruvi e o Eldorado, pontos de troca se tornaram verdadeiros centros de encontro para colecionadores. Ali, além das trocas tradicionais, vendas informais de cromos raros e de lendas são comuns. Enzo, por exemplo, comercializa figurinhas de craques como Neymar, com preços que podem chegar a R$ 500.
A nostalgia e o legado familiar da coleção
Para Leonardo, 22 anos, colecionar álbuns é uma forma de guardar memórias afetivas da infância, quando fazia a atividade com o pai. “O álbum para mim é uma forma de recordar no futuro”, afirma.
Susi Mgrigolli, que já completou quatro álbuns da edição de 2026, vê a troca de figurinhas como um momento de união e distração das redes sociais. Ela também coleciona moedas das Olimpíadas do Rio 2016, demonstrando seu amor pelo esporte em diversas formas.
Desafios para os jornaleiros e o mercado de figurinhas
Proprietários de bancas de jornal relatam um aumento nas vendas no início da Copa, mas ressaltam que o movimento não se compara a edições anteriores. A diversificação de pontos de venda, com figurinhas disponíveis em mercados, farmácias e lojas, é vista como um fator que desequilibra a concorrência. Além disso, a limitação de unidades por banca e atrasos na entrega por parte dos distribuidores dificultam o estoque, forçando muitos a comprar diretamente da editora, mas enfrentando longas esperas.