Ícone do site Dpsporte Aposte Aqui

Troféu Borg-Warner: A Lenda da Indy 500 que Imortaliza Vencedores com Rostos Esculpidos em Prata

Troféu Borg Warner: A Lenda Da Indy 500 Que Imortaliza Vencedores Com Rostos Esculpidos Em Prata

Troféu Borg Warner: A Lenda Da Indy 500 Que Imortaliza Vencedores Com Rostos Esculpidos Em Prata

O Troféu Borg-Warner não é apenas um prêmio; é um ícone. Amplamente reconhecido como uma das honrarias mais cobiçadas e singulares do esporte mundial, ele se distingue de taças convencionais por sua permanência no Indianapolis Motor Speedway Hall of Fame Museum, e não na casa do campeão. Sua característica mais marcante — e a razão de sua fama global — é a presença de uma escultura em baixo-relevo do rosto de cada piloto que venceu as 500 Milhas de Indianápolis desde o início da prova. Mais do que um mero troféu, ele serve como um registro histórico tridimensional, imortalizando a fisionomia dos atletas que triunfaram no “Maior Espetáculo das Corridas”.

A Gênese de um Ícone: Origem e Evolução

A concepção do troféu remonta a 1935, quando a Borg-Warner Automotive Company (hoje BorgWarner Inc.) encomendou a peça para celebrar os vencedores da corrida que já se estabelecia como o auge do automobilismo norte-americano. O design foi executado por Robert J. Hill, e a construção ficou a cargo da joalheria Spaulding-Gorham, de Chicago. A estreia oficial do troféu ocorreu em 1936, com Louis Meyer, o vencedor daquela edição, sendo o primeiro a receber a honraria cerimonial. Contudo, a organização decidiu ser retroativa, incorporando os rostos de todos os vencedores anteriores, desde a corrida inaugural de 1911 (Ray Harroun).

O troféu foi concebido no estilo Art Déco, refletindo a estética predominante da década de 1930. Originalmente custando cerca de US$ 10.000, o valor atual do monumento é inestimável, embora a avaliação do seguro ultrapasse a marca de US$ 3,5 milhões, considerando apenas o material e a mão de obra artística, sem contabilizar seu valor histórico intrínseco.

A Arte da Imortalização: Processo de Escultura e Especificações

A singularidade do Borg-Warner reside no rigoroso processo artístico necessário para adicionar um novo rosto a cada ano. Não se trata de uma simples gravação a laser ou moldagem genérica; é um trabalho de escultura clássica. Desde 1990, o escultor americano William Behrends é o responsável por criar as imagens dos vencedores. Ele viaja para Indianápolis na manhã seguinte à corrida para os primeiros estudos. O piloto vencedor posa para uma sessão de fotos e medições detalhadas. Behrends cria um modelo em argila em tamanho real para capturar a expressão e personalidade. Após a aprovação do piloto, uma versão em tamanho reduzido (escala do troféu) é feita em argila. Um molde é criado e a imagem é fundida em bronze, e posteriormente recebe o banho de prata esterlina antes de ser afixada ao troféu.

O troféu original mede aproximadamente 162,5 centímetros de altura e pesa cerca de 50 quilos. Como os vencedores não podem ficar com o troféu principal, a BorgWarner instituiu, a partir de 1988, a entrega do “Baby Borg”. Trata-se de uma réplica em miniatura (cerca de 45 cm), montada sobre uma base de madeira, que também inclui o rosto esculpido do piloto em prata.

Um Registro Vivo: Nomes, Números e Adaptações

O corpo principal do troféu e sua base contêm os rostos de todos os vencedores, além de inscrições com o nome do piloto, o ano da vitória e a velocidade média da prova. A estrutura física do troféu teve que ser alterada ao longo das décadas para acomodar novos campeões. O corpo principal contém os vencedores das primeiras décadas. A primeira base foi adicionada em 1986 para fornecer espaço adicional, e a segunda base foi incorporada em 2004, garantindo espaço para vencedores até o ano de 2033. Os maiores vencedores da história da Indy 500 possuem quatro imagens distintas esculpidas no troféu, refletindo o envelhecimento e as mudanças fisionômicas ao longo de suas carreiras: A.J. Foyt, Al Unser, Rick Mears e Hélio Castroneves.

Histórias Gravadas na Prata: Curiosidades e Anomalias

O Troféu Borg-Warner é repleto de histórias e peculiaridades que o tornam ainda mais fascinante. Entre todas as faces prateadas, existe uma única face feita de ouro 24 quilates. Ela pertence a Tony Hulman, o proprietário do autódromo que salvou a pista após a Segunda Guerra Mundial. Sua imagem foi adicionada em 1988 para honrar seu legado, sendo o único não-piloto presente no troféu.

O vencedor de 1983, Tom Sneva, é o único piloto retratado usando óculos no troféu. Embora outros pilotos usassem o acessório, eles optaram por retirá-los para a escultura, mas Sneva manteve-os como sua marca registrada. Outra curiosidade é o erro ortográfico no rosto do vencedor de 1950, Johnnie Parsons, cujo nome foi gravado como “Johnny” (com “h”). O erro permanece no troféu até hoje, preservando a integridade histórica da peça original.

Em duas ocasiões, em 1924 e 1941, dois pilotos compartilharam a vitória (pilotos de alívio ou co-pilotos que assumiram o carro). Nesses casos, ambos os rostos foram esculpidos para o mesmo ano: L.L. Corum e Joe Boyer (1924), e Floyd Davis e Mauri Rose (1941) dividem a honra. Por fim, não há rostos referentes ao período de 1942 a 1945, pois a corrida foi suspensa devido à participação dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial.

O Troféu Borg-Warner transcende a definição de prêmio esportivo para se tornar um arquivo vivo da história do automobilismo. A cada novo mês de maio, a adição de uma nova face em prata reafirma a imortalidade do vencedor, garantindo que sua imagem permaneça preservada ao lado das maiores lendas da velocidade, independentemente da passagem do tempo.

Sair da versão mobile