Portugal está de volta ao cenário europeu dos 10.000 metros, apresentando equipes completas nos setores masculino e feminino para a Taça da Europa, um feito que não se repetia há mais de uma década. A competição, agendada para 23 de maio em La Spezia, na Itália, marca um momento de renovação para o atletismo português, que já foi uma potência na distância, ao lado da Espanha.
A convocatória, divulgada esta quarta-feira, inclui sete atletas – quatro homens e três mulheres – com a meta de que pelo menos três de cada gênero concluam a prova para garantir a classificação coletiva. Este retorno é particularmente significativo, dado o declínio acentuado que o país enfrentou na modalidade, especialmente no setor masculino.
O Retorno da Equipe Portuguesa
Os nomes de Samuel Barata e Mariana Machado despontam como as principais esperanças portuguesas. A delegação será comandada por Sara Moreira, uma figura emblemática do atletismo nacional, que não só é diretora da Federação Portuguesa de Atletismo, mas também foi a última vencedora individual da Taça da Europa de 10.000 metros em 2017, conquistando um feito inédito na época.
Destaques no Setor Feminino
No feminino, a bracarense Mariana Machado é a única atleta do grupo a já possuir os mínimos para os Campeonatos Europeus de Birmingham deste ano. Com um recorde pessoal de 30.58 minutos em estrada (e 32.27,06 em pista), ela se destaca por ter quebrado a barreira dos 32.00 minutos, o passaporte para o evento europeu. Ao seu lado, Susana Godinho Santos (32.57 em estrada) e Mónica Silva (33.07 em estrada) completam a equipe, ambas com histórico mais recente focado na maratona.
A Força Masculina e Seus Objetivos
Entre os homens, o experiente Samuel Barata, com um recorde pessoal de 27.48,62 (registrado há dois anos) e um tempo de 27.54 em estrada nesta temporada, está a escassos quatro segundos dos mínimos para os Europeus. Embora José Carlos Pinto já esteja qualificado (e ausente nesta convocatória), a prova é uma excelente oportunidade para Barata e os demais atletas – Duarte Gomes (28.08), Rui Pinto (28.21) e Miguel Borges (28.46), todos com marcas em estrada – alcançarem os índices para os campeonatos de 2025 e 2026, dado que raramente competem nesta distância.
Oportunidade de Qualificação
Para muitos dos convocados, que não têm corrido os 10.000 metros em pista com frequência nos últimos anos, a Taça da Europa representa uma valiosa chance de buscar as marcas de qualificação para os próximos grandes eventos internacionais, reavivando a tradição portuguesa nesta desafiadora distância do atletismo.