Em Toronto, bares e restaurantes buscam maneiras de atrair clientes para assistir aos jogos da Copa do Mundo, enfrentando as rigorosas regras de propriedade intelectual impostas pela FIFA. A entidade, conhecida por proteger suas marcas e patrocínios, exige que estabelecimentos evitem o uso de termos como “FIFA” e “Copa do Mundo” em suas divulgações.
Ameaças e Reinvenção: A Lição de Rocco Mastrangelo Jr.
A experiência de Rocco Mastrangelo Jr. em 2006 serve como um alerta. Na época, o restaurante italiano de sua família em Toronto, o Café Diplomatico, foi ameaçado de processo pela FIFA por anunciar a exibição de uma semifinal. Para contornar a situação, Mastrangelo renomeou as exibições como “Cafe Dip Soccer Headquarters”, criando sua própria marca e estratégia para atrair torcedores, uma tática que ele e outros estabelecimentos pretendem usar novamente.
Proteção de Marca: Um Negócio Milionário para a FIFA
A FIFA justifica a rigidez na proteção de sua propriedade intelectual como fundamental para a receita do futebol mundial. Os direitos de marketing, segunda maior fonte de receita da organização, arrecadaram US$ 965 milhões em 2025. Esses fundos são cruciais para o desenvolvimento e crescimento do esporte globalmente. A entidade emprega voluntários, advogados e funcionários para monitorar e garantir a conformidade, com equipes de fiscalização atuando em zonas controladas ao redor dos estádios.
Estratégias Criativas: “Global Kickball Cup” e Nomes Genéricos
Diante das restrições, bares como o Sneaky Dee’s em Toronto optaram por chamar as exibições de “Global Kickball Cup”, utilizando cartazes e redes sociais com nomes alternativos. Outros estabelecimentos, como o Fable Diner & Bar em Vancouver, planejam usar placas genéricas como “Assista a jogos de futebol aqui” e decorar com bandeiras internacionais. Essa abordagem criativa visa atrair o público sem infringir as regras da FIFA, transformando a necessidade em uma oportunidade de gerar interesse.
Desafios e Frustrações para Proprietários e Fãs
A rigidez da FIFA gera frustração entre proprietários de estabelecimentos e fãs. A vereadora de Toronto, Josh Matlow, descreveu a situação como a necessidade de uma “linguagem codificada”, comparando os locais a “bares clandestinos”. Para muitos torcedores, assistir aos jogos em espaços comunitários é a única opção devido ao custo dos ingressos. Jean-Sébastien Roy, vice-presidente do Voyageurs, um fã-clube da seleção canadense, ressalta a importância desses locais, mas afirma que, apesar de respeitar as diretrizes, o evento continuará sendo chamado de “Copa do Mundo” por aquilo que ele realmente é.