Após o diploma olímpico conquistado em Paris-2024, que elevou as expectativas e a pressão, os velejadores portugueses Carolina João e Diogo Costa já estão focados em Los Angeles 2028. A meta é clara: superar o quinto lugar alcançado nos últimos Jogos, um desafio que exige “investir tudo” e repensar abordagens.
A Busca por Ir Além: Superar o Diploma Olímpico
Para Carolina João, a trajetória da dupla sempre foi de crescimento constante, com resultados sólidos. “Nunca foi uma montanha-russa”, afirma a duas vezes olímpica. Contudo, o quinto lugar em Paris-2024 naturalmente aumenta a ambição. “É óbvio que a pressão aumente, que, depois do quinto, a pessoa queira mais”, reconhece. O planejamento da vida dos atletas segue os ciclos olímpicos, e Los Angeles-2028 já é o horizonte. “O objetivo é sempre os Jogos e tudo o que é feito durante esses quatro anos é a pensar nos Jogos”, explica Carolina, enfatizando que a filosofia é “sempre superar o resultado que já foi feito”. Diogo Costa reforça que a preparação é crucial, exigindo “continuar a investir tempo, dinheiro” e “todas as ajudas” possíveis. “Estamos extremamente focados para isto. E o resultado aparecerá, se tiver de aparecer”, garante.
Reinventando Táticas: Ousadia na Regata
No caminho para 2028, a dupla está experimentando uma abordagem menos cautelosa nas regatas. A mudança de mentalidade foi testada recentemente no Troféu Princesa Sofia, em Palma de Maiorca, onde conquistaram o oitavo lugar. Diogo Costa ilustra a nova filosofia: “A verdade é que um primeiro e um nono ganha contra um quinto e um quinto. Apesar de serem 10 pontos, o primeiro e o nono ganha sempre”. Carolina João complementa, destacando a importância de “saber quando arriscar e quando ser conservador”. Apesar de alguns riscos não terem dado certo, o balanço da participação no evento foi “positivo”, permitindo aprendizado sob pressão. “Se não nos déssemos ao luxo de poder errar numa prova destas, não aprendíamos com pressão”, pontua Diogo.
Superando Desafios e Olhando para o Mundial
A pré-temporada da dupla foi marcada por adversidades, com Carolina João enfrentando uma lesão que a deixou “três meses parada” e uma doença no regresso. Diante disso, os campeonatos atuais estão sendo utilizados para “trabalhar coisas específicas” e garantir confiança para o Mundial. O próximo grande desafio é o Campeonato Mundial em Enoshima, Japão, entre 10 e 17 de agosto. Para lá, a expectativa é um top 5, que “seria um bom resultado” e fundamental para “garantir o apoio do Comitê Olímpico de Portugal no segundo nível”, conforme explica Diogo Costa. “Vai depender das condições”, mas a dupla acredita ter capacidade para um bom desempenho.
A Competição Interna: Estímulo e Cautela
Além dos adversários internacionais, Carolina João e Diogo Costa enfrentam a concorrência de outra dupla nacional, Beatriz Gago e Rodolfo Pires, na disputa pela quota para Los Angeles 2028. Carolina vê a competitividade interna como um fator positivo: “quanto maior é a competitividade interna melhor é. No final de contas, a pessoa nunca pode tirar o pé do pedal”. Diogo Costa, embora reconheça as “regras do jogo”, demonstra mais cautela, lembrando de episódios passados na vela portuguesa que “acabaram um bocado mal”. Ele espera que a situação com Gago e Pires seja diferente, mas alerta que “vai haver uma altura em que a competitividade vai deixar de ser externa”. Contudo, o foco primário é “apurar o país” antes de se concentrar na disputa interna pela vaga.