A judoca portuguesa Rochele Nunes (+78 kg) está prestes a fazer o seu regresso aos tatamis nos Campeonatos Europeus de Judo, em Tbilissi, Geórgia, marcando a sua sexta participação na competição. Após ter sido mãe em maio de 2023, a atleta reconhece que o caminho de volta tem sido mais árduo do que o imaginado, mas o seu objetivo mantém-se inalterado: “ganhar”. Com a mira apontada para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028, Rochele encara este desafio como uma etapa fundamental para acumular experiência e subir degraus no ranking mundial.
O Regresso Desafiador Após a Maternidade
Competindo por Portugal desde 2019, Rochele Nunes não esconde as dificuldades encontradas no seu retorno. “A parte da minha volta custou-me um pouco mais do que esperava, a minha expectativa era muito alta, achava que ia realmente chegar e ganhar na primeira prova, não aconteceu, nem na segunda”, confessou a judoca à agência Lusa. Ela explica que a preparação precisou ser reajustada ao perceber a necessidade de “dar um passo para trás”. Além dos desafios da maternidade, a idade tem sido um fator crucial. “O mais difícil foi a idade, o meu corpo já não recupera tão rápido quanto antes, então isso fez-me trabalhar com um pouco mais de qualidade”, detalhou, referindo-se aos recentes desempenhos sem medalhas no Grand Prix da Áustria e no Grand Slam de Tbilissi, competições que a levaram a apostar num trabalho mais focado e eficiente.
Confronto com Jovem Estrela Estónia
No domingo, Rochele Nunes fará a sua estreia na segunda ronda da categoria +78 kg, num combate que será o 22.º no tatami 2. A sua adversária será a estónia Emma-Melis Aktas, de apenas 18 anos, uma atleta que tem demonstrado uma evolução notável. Aktas conquistou a medalha de bronze no Grande Prémio da Áustria este ano e, no ano passado, obteve resultados significativos em juniores, além de uma medalha de prata no Grande Prémio de Lima e um quinto lugar no Campeonato Mundial de seniores em Budapeste. Rochele, que já treinou com Aktas num estágio em Tatas, na Hungria, aborda o confronto com confiança. “Não me recordo muito do treino com ela, acho que é um lado bom, porque se ela me tivesse batido tinha-me lembrado com certeza, então acho que eu fiz um treino bom, sei que ela é uma menina nova, que está a crescer muito, foi quinta no campeonato do mundo”, analisou a judoca portuguesa.
Diogo Brites e o Desempenho da Equipa Lusa
Além de Rochele Nunes, a seleção portuguesa encerra a sua participação no domingo com a entrada de Diogo Brites, que competirá na categoria de peso mais pesado (+100 kg). Brites, que foi bronze no Open Europeu de Sófia em janeiro e entrou na convocatória para Tbilissi, tem como objetivo “ganhar o maior número de combates possível, acumular pontos e surpreender-me em cada prova”, sempre com os Jogos de Los Angeles 2028 em mente. A sua estreia em Tbilissi será contra o estónio Karl Turk, que ocupa a 69.ª posição no ranking mundial, um pouco à frente de Brites, o 110.º e último inscrito na categoria. “É um bom primeiro combate, na ronda seguinte, se vencer, apanho o número um da prova, mas isso não faz com que fique nervoso ou stressado”, comentou o judoca.
A participação lusa nos Europeus teve início na quinta-feira. Até ao momento, a seleção registou nonos lugares para Miguel Gago (-66 kg), Otari Kvantidze (-73 kg) e Bárbara Timo (-70 kg), todos com um registo de uma vitória e uma derrota. Maria Siderot (-52 kg) e Bernardo Tralhão (-60 kg) foram eliminados nos seus combates de estreia, buscando agora novas oportunidades nas próximas competições.