Mirassol vive ápice na Libertadores em meio a turbulência na temporada
Estreia inédita na Copa Libertadores contrasta com desempenho adverso no cenário nacional.
Momento histórico ofuscado por realidade desafiadora
O Mirassol faz história ao estrear na Copa Libertadores da América nesta quarta-feira, às 19h (horário de Brasília), contra o Lanús, da Argentina. A inédita participação no torneio continental é o ápice de um 2025 memorável, quando o clube alcançou o quarto lugar no Campeonato Brasileiro, sua melhor campanha na elite do futebol nacional. No entanto, o momento atual contrasta drasticamente com a euforia da conquista, pois a temporada de 2026 tem sido marcada por obstáculos e resultados decepcionantes.
Queda de rendimento e desmanche da equipe campeã
A temporada começou com tropeços significativos. No Campeonato Paulista, o Mirassol sequer avançou para a fase de mata-mata, terminando na 11ª colocação. No Brasileirão, a situação é ainda mais crítica, com o time amargando a lanterna após nove jogos, somando apenas seis pontos. A campanha inclui uma vitória, três empates e cinco derrotas, com o Vasco sendo o único adversário batido até o momento. A equipe ainda tem um jogo atrasado contra o Flamengo. O desempenho em casa, outrora um trunfo com 22 jogos invicto em 2025, também sofreu um revés, com duas derrotas consecutivas por 1 a 0 em 2026. Para agravar o cenário, o clube perdeu jogadores importantes que brilharam na temporada passada: Danielzinho e Lucas Ramon foram para o São Paulo, e Gabriel se transferiu para o Sporting Cristal, do Peru. O lateral Reinaldo, artilheiro no ano passado, não repete o desempenho, e o principal reforço, Tiquinho Soares, ainda não marcou gols em cinco partidas.
Confiança na recuperação e desafios da Libertadores
Apesar do momento adverso, a diretoria do Mirassol demonstra confiança na recuperação da equipe, mantendo o técnico Rafael Guanaes e o executivo Paulinho. Guanaes ressalta a importância da Libertadores como um privilégio e um palco para demonstrar a identidade do time. “É rodada de Libertadores, é só Libertadores. É uma competição diferente, é um privilégio a gente estar aqui. Só positividade, privilégio, jogar futebol, jogar com coragem, correr risco, botar a bola no chão. A gente não é definido pelos nossos momentos. A gente tem uma identidade muito bem formada. Vejo a nossa equipe muito competitiva. Independentemente do momento”, avalia o treinador. O grupo na Libertadores, contudo, impõe desafios adicionais, com o Lanús, campeão da Recopa Sul-Americana, e os peruanos LDU e Always Ready, que jogam em altitudes elevadas, sendo adversários de peso.
Impacto da Libertadores e legado para o interior
Fora das quatro linhas, a participação na Libertadores já gera impactos relevantes. O Aeroporto de São José do Rio Preto, próximo a Mirassol, foi internacionalizado temporariamente para atender às exigências da Conmebol. A chegada do Lanús marcou o primeiro voo internacional do local. O Mirassol se junta a um grupo seleto de clubes do interior paulista que já disputaram o torneio, como Guarani, Paulista, Santo André, Red Bull Bragantino e São Caetano. “É um momento extremamente adverso. Momento em que só realmente quem tem comprometimento, quem tem sonho, fome, consegue superar. Aqui no Mirassol trabalhamos nessa direção sempre. É uma oportunidade raríssima na nossa vida, foi algo conquistado com muito empenho, muito esforço, muitas mãos e pés, muitas mentes trabalhando para que pudéssemos fazer algo extraordinário”, afirmou Rafael Guanaes.