O Ministério Público (MP) instaurou um inquérito criminal para investigar os incidentes ocorridos no Dragão Arena, momentos antes do clássico de andebol entre FC Porto e Sporting, no último sábado. A decisão foi tomada após a divulgação de notícias sobre os acontecimentos, que o MP considera poderem configurar crimes de natureza pública.
Os incidentes causaram um atraso de cerca de 15 minutos no início da partida. A equipa de andebol do Sporting queixou-se de um odor intenso e tóxico no seu balneário, que levou o treinador Ricardo Costa e o jogador congolês Christian Moga a receberem assistência médica no local. O Sporting descreveu a situação como “repugnante” e “criminosa”, acusando o FC Porto de “práticas obscuras”.
Investigação em Curso e Reações Iniciais
Para dar seguimento ao inquérito, o Ministério Público solicitou à Polícia de Segurança Pública (PSP) o respetivo auto de notícia. A instauração do processo ocorreu na véspera de uma reunião agendada entre a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, e o presidente do Sporting, Frederico Varandas, a pedido do líder leonino.
Em resposta às acusações, o FC Porto desmentiu a situação, classificando as alegações do Sporting como “graves e abusivas”. O clube portista informou ter contactado a PSP para a verificação das condições do seu pavilhão. Adicionalmente, o diretor-geral das modalidades do FC Porto, Mário Santos, acusou o jogador do Sporting, Martim Costa, de ter agredido um adepto dos “dragões” durante o aquecimento para o jogo.
As Acusações do Sporting
O Sporting não poupou nas críticas, afirmando que o “mais recente capítulo deste inaceitável encadeamento de episódios atinge um nível que ultrapassa todos os limites”. O clube lisboeta frisou que “um balneário com cheiro tóxico e intenso que afetou o estado físico de jogadores e staff da equipa de andebol” não é apenas lamentável, mas “criminoso”.
Os “leões” denunciaram atos de “desrespeito” e “condicionamento” por parte do FC Porto, que, segundo o clube, “não são isolados nem acidentais”. O Sporting exigiu uma “posição firme e implacável” das autoridades e dos reguladores do setor, argumentando que tais comportamentos “já ultrapassam os limites do admissível num Estado de direito” e “mancham o desporto português”.
A Posição da Federação e Próximos Passos
Paralelamente à ação do MP, a direção da Federação de Andebol de Portugal (FAP) efetuou uma participação ao Conselho de Disciplina (CD) para o apuramento de responsabilidades disciplinares relativas aos incidentes. Estes acontecimentos ocorreram num jogo crucial, onde o Sporting venceu o FC Porto por 33-30, reforçando a sua liderança isolada no campeonato, com 23 vitórias em 23 jogos.
A audiência com a ministra da Cultura, Juventude e Desporto contará com a presença do presidente da FAP, Miguel Laranjeiro, e do secretário de Estado do Desporto, Pedro Dias, além do presidente do Sporting, Frederico Varandas. A reunião promete abordar as graves denúncias e buscar soluções para os desafios que afetam a integridade do andebol português.