A passagem de Dorival Júnior pelo Corinthians chegou ao fim de forma abrupta, apenas 64 dias após a celebração do título da Supercopa Rei contra o Flamengo. O técnico, que também havia levantado a taça da Copa do Brasil em dezembro, foi desligado do comando alvinegro após a derrota por 1 a 0 para o Internacional, neste domingo, na Neo Química Arena, em partida válida pelo Campeonato Brasileiro. A decisão da diretoria corintiana reflete uma combinação de fatores que se acumularam rapidamente, transformando a euforia dos títulos em uma crise de resultados e desempenho.
A Queda de Resultados: Nove Jogos Sem Vitória
O principal catalisador para a demissão de Dorival foi a alarmante sequência de nove partidas consecutivas sem vitória na temporada. A equipe alvinegra não sabia o que era vencer desde o dia 19 de fevereiro, quando superou o Athletico Paranaense por 1 a 0. Desde então, o Corinthians acumulou cinco empates e quatro derrotas, um período que incluiu a dolorosa eliminação nas semifinais do Campeonato Paulista para o Novorizontino. Os resultados negativos se estenderam pelo Brasileirão, com empates contra Portuguesa, Santos e Chapecoense, e derrotas para Coritiba, Fluminense e, finalmente, Internacional, que serviu como a gota d’água.
Desempenho Abaixo do Esperado e Falta de Padrão Tático
Para além dos números, a qualidade do futebol apresentado pelo Corinthians sob o comando de Dorival Júnior vinha sendo duramente questionada. A falta de um padrão de jogo claro e a dificuldade em construir jogadas coletivas ficaram evidentes em diversas ocasiões. Na derrota para o Fluminense, no Maracanã, a equipe mostrou sérios problemas na recomposição defensiva e uma notável falta de organização. Já nos revezes em casa contra Coritiba e Internacional, o time careceu de criatividade para ligar o meio-campo ao ataque e sofreu com erros técnicos nas finalizações, exibindo uma postura descoordenada que dava brechas fatais aos adversários. Esse cenário contrastava drasticamente com a atuação aplicada e consistente que levou o time ao triunfo na Supercopa Rei.
Pressão Crescente da Torcida e Decisões Iminentes
A insatisfação com o trabalho de Dorival extrapolou os bastidores e ganhou as arquibancadas. Após a derrota para o Internacional, os cânticos de cobrança como “Não é mole não/Tem que ser homem para jogar no Coringão” ecoaram na Neo Química Arena. Dias antes, a Gaviões da Fiel, principal torcida organizada, havia comparecido ao CT Joaquim Grava para exigir explicações e uma melhora imediata de jogadores, comissão técnica e diretoria. A demissão ocorre às vésperas de compromissos cruciais: a estreia na Copa Libertadores contra o Platense na Argentina, o clássico contra o Palmeiras e outro jogo pela Libertadores contra o Santa Fe. A diretoria entendeu que a mudança era vital para “chacoalhar” o elenco e evitar que as derrotas ampliassem ainda mais a crise.
O Futuro do Timão: Em Busca de um Novo Comando
A saída de Dorival Júnior não foi uma surpresa completa, já que conselheiros vinham pressionando o presidente Osmar Stábile por uma mudança desde a derrota para o Coritiba, sugerindo aproveitar a Data Fifa. Embora a diretoria tenha relutado inicialmente pela escassez de opções no mercado, a urgência da situação forçou a decisão. Nomes de peso como Tite e Fernando Diniz já circulam nos corredores do Parque São Jorge como possíveis substitutos, com a cúpula alvinegra buscando definir o novo treinador a tempo para a estreia na Libertadores. Vale ressaltar que Dorival também enfrentou baixas importantes por lesão, como Yuri Alberto e Memphis Depay, que impactaram o desempenho da equipe em seu período sem vitórias.