Um enviado especial do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, gerou controvérsia ao sugerir ao presidente da FIFA, Gianni Infantino, que a seleção iraniana seja substituída pela italiana na próxima Copa do Mundo, a ser sediada na América do Norte. A informação foi confirmada pelo próprio Paolo Zampolli ao jornal britânico Financial Times, em meio a um cenário de tensões crescentes entre os Estados Unidos e o Irã, além de uma tentativa de apaziguamento nas relações entre Washington e Roma.
Zampolli, que atua como enviado especial do presidente dos Estados Unidos para parcerias globais, argumentou que a Itália, com seus quatro títulos mundiais, possuiria o “currículo necessário” para justificar a inclusão, apesar de não ter conseguido a vaga nas Eliminatórias Europeias. “Confirmo que sugeri a Trump e Infantino que a Itália substitua o Irã na Copa do Mundo. Sou italiano e seria um sonho ver a Azzurra em um torneio sediado nos EUA”, declarou o empresário nascido em Milão.
A Sugestão Controversa e a Resposta da FIFA
A proposta de Zampolli, embora midiática, esbarra na realidade das decisões da FIFA. Legalmente, a entidade tem autonomia para decidir sobre vagas em caso de desistência, como fez em 2025 ao permitir que o campeão da fase de liga da MLS jogasse o novo Mundial de Clubes, coincidindo com a vitória do Inter Miami de Lionel Messi. Contudo, para que a Itália entrasse, seria necessária uma desistência iraniana, algo que não se confirmou.
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, já assegurou publicamente a participação iraniana. “O Irã estará na Copa do Mundo. Estamos aqui para isso. Estamos satisfeitos porque é uma equipe muito, muito forte. Estou muito contente”, afirmou Infantino, que inclusive acompanhou um jogo da seleção iraniana na Turquia, na última Data FIFA, devido aos conflitos no Oriente Médio.
O Cenário Geopolítico e a Posição Iraniana
A sugestão de Zampolli ocorre em um contexto de alta tensão entre Washington e Teerã. Donald Trump, embora tenha dito que a seleção iraniana seria “bem-vinda” ao torneio, questionou se seria apropriado que o time participasse por questões de “vida e segurança”.
Apesar das pressões, o Irã tem se mantido firme em sua intenção de participar. A mídia estatal iraniana divulgou um comunicado da porta-voz do governo, Fatemeh Mohajerani, afirmando que o país está preparado para o torneio e que o Ministério do Esporte e da Juventude garantiu todas as providências necessárias. O presidente da federação iraniana, Mehdi Taj, foi enfático: “Vamos nos preparar para a Copa do Mundo. Vamos boicotar os Estados Unidos, mas não a Copa do Mundo”, declarou em vídeo divulgado pela agência Fars.
Relações Internacionais em Jogo
Além do aspecto esportivo, a iniciativa de Zampolli é vista como uma tentativa de apaziguar as relações entre os governos dos Estados Unidos e da Itália. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, rompeu recentemente com Donald Trump, após ter sido uma aliada. O distanciamento se deu pela impopularidade do americano na Itália e por xingamentos de Trump ao Papa Leão XIV, que criticou o tratamento desumano de imigrantes. Trump também reclamou da falta de apoio de Meloni nas tensões com o Irã.
Polêmicas Pessoais do Enviado de Trump
A figura de Paolo Zampolli também é marcada por controvérsias pessoais. Ele é acusado de violência doméstica pela ex-mulher, a modelo brasileira Amanda Ungaro. Ungaro, que foi deportada dos EUA, afirma que Zampolli usou sua influência política para que ela fosse presa pela polícia de imigração americana (ICE). O ex-casal, que viveu junto por 19 anos e tem um filho, trava agora uma disputa pela guarda.
Zampolli nega ter solicitado tratamento especial no processo de deportação de Ungaro, que foi presa em Miami sob acusações de fraude. Curiosamente, foi Zampolli quem apresentou Donald Trump a Melania Knauss em 1998, e ele e Ungaro estiveram na primeira posse de Trump em 2017, sentando-se à mesa de Melania no jantar de gala.