O AVS confirmou a sua despromoção do principal escalão do futebol português, um desfecho que sela o falhanço de um projeto ambicioso de consolidação na Liga. Apesar do empate (2-2) na sexta-feira frente ao Rio Ave, na 30.ª jornada, a vitória do Nacional sobre o Alverca (1-0) no sábado deixou os avenses sem qualquer hipótese de permanência.
Da Vila Franca à Elite: Um Sonho de Ascensão Rápida
A história do AVS começou com a mudança da SAD, antes associada ao Vilafranquense, para Vila das Aves na época 2023/24. A ambição era clara: alcançar rapidamente o principal escalão. Apesar da resistência inicial de alguns adeptos do Clube Desportivo das Aves, a subida concretizou-se logo na temporada de estreia, após duas vitórias no play-off contra o Portimonense, então 16.º classificado da Liga.
Jorge Costa, o treinador escolhido para liderar esta ascensão, encerrou a sua carreira no banco após este feito, transitando posteriormente para a estrutura diretiva do FC Porto. No entanto, a instabilidade começou a surgir na gestão, com Henrique Sereno a deixar a presidência da SAD, sendo substituído por Miguel Socorro. A equipa não conseguiu, nesta época, corrigir as fragilidades já evidenciadas na estreia na Liga, quando a permanência foi garantida apenas através de um segundo play-off.
A Valsa de Treinadores e a Instabilidade no Banco
A presente temporada foi marcada por uma constante dança de cadeiras no comando técnico. Vítor Campelos, Rui Ferreira e Daniel Ramos passaram pelo banco do AVS, mas acabaram por sair, em alguns casos de forma inesperada. Vítor Campelos, por exemplo, rescindiu unilateralmente quando a equipa se encontrava em zona de segurança.
A gestão da época foi entregue, numa fase crucial, ao experiente José Mota. Com um currículo que incluía várias subidas de divisão e uma Taça de Portugal inédita conquistada pelo Desportivo das Aves, Mota conseguiu garantir a permanência no play-off frente ao Vizela (3.º da Liga 2), com um agregado de 5-3. Contudo, este “final feliz” não mascarou as falhas no planeamento do plantel para a temporada seguinte, com saídas importantes e entradas de jogadores que não geraram o impacto esperado. A continuidade de Mota não travou este cenário, e o técnico acabou por sair ao fim de apenas cinco jornadas.
Fábio Espinho, membro da equipa técnica, assegurou a transição para João Pedro Sousa, com a equipa já na zona de descida, de onde nunca mais sairia. Seguiu-se João Henriques, a partir da 15.ª jornada, após um breve interregno assegurado pelo interino Armando Roriz, que somou uma inesperada vitória em Guimarães, nos oitavos de final da Taça de Portugal.
Planeamento Falhado e um Mercado de Inverno sem Impacto
A chegada de João Henriques reencontrou-o com Diogo Boa Alma, nomeado diretor-geral para o futebol, com quem havia trabalhado com sucesso no Santa Clara. As esperanças recaíam no mercado de inverno para uma reformulação do plantel, visando atenuar o impacto dos maus resultados. No entanto, a introdução de novas opções não foi suficiente para reverter o quadro, e o balneário registou a saída de uma dezena de elementos, um sinal claro da tentativa desesperada de mudar o rumo.
A Luta pela Dignidade em Meio à Crise
Consciente da impossibilidade de apagar o passado recente, João Henriques reorientou a abordagem, focando-se no jogo a jogo e em objetivos intermédios, como manter a baliza a zeros ou alcançar a primeira vitória, que só chegaria em fevereiro, à 22.ª jornada, diante do Estoril Praia (3-0). Apesar da despromoção anunciada, o técnico nunca deixou de apontar a uma saída com dignidade, perseguindo ainda o primeiro triunfo fora de portas e a superação dos 15 pontos do Penafiel em 2004/05, para evitar que o AVS fixe o pior registo pontual de uma equipa na Liga em edições disputadas por 18 clubes.