Em um reviravolta histórica, São Paulo, cidade que chegou a proibir a prática do skate em 1988, hoje celebra sua ascensão como epicentro global da modalidade. O prefeito Ricardo Nunes anunciou com orgulho a abertura do Mundial de Skate na capital, um marco que reflete a profunda conexão da cidade com o esporte e sua crescente relevância no cenário internacional. A cerimônia contou com a presença de ícones do skate como Letícia Bufoni, Pâmela Rosa, Pedro Barros e o campeão olímpico japonês Yuto Horigome, além de Sabatino Aracu, presidente da World Skate (WS).
Wimbledon do Skate: Uma Visão de Futuro para São Paulo
O desejo de ver São Paulo no panteão do skate, assim como Wimbledon no tênis, foi expresso por Sabatino Aracu. “Que, no futuro, São Paulo seja para o skate o que Wimbledon é para o tênis. Que, ao falar de skate, digamos ‘São Paulo'”, declarou Aracu. A cidade, que já possui 170 pistas públicas, tem uma relação intrínseca com o skate desde os anos 80, atraindo lendas como Tony Hawk e Mike Vallely. A inclusão do skate nos Jogos Olímpicos impulsionou ainda mais esse crescimento, atraindo investimentos e grandes eventos.
Street League e Mundiais: São Paulo no Centro das Atenções
Nos últimos três anos, o Ginásio do Ibirapuera sediou a etapa final da Street League Skateboarding (SLS), consolidando a cidade como palco de competições de alto nível. Atualmente, o Parque Cândido Portinari sedia simultaneamente os Mundiais de Park e Street, categorias olímpicas essenciais para a classificação para as Olimpíadas de Los Angeles-2028. A escolha de São Paulo para sediar o Mundial, que anteriormente seria em Washington, demonstra a capacidade da cidade em organizar eventos de grande porte, mesmo com prazos apertados.
A Força Brasileira e a Essência do Skate Paulistano
Letícia Bufoni, agora chefe da comissão técnica da WS, destaca o protagonismo do Brasil no skate, tanto masculino quanto feminino, como um fator crucial para atrair eventos. “O Brasil tem assumido um grande protagonismo no skate feminino e masculino, seja no Park ou Street, o que influencia as organizações a olharem mais para o Brasil e entenderem como o esporte tem crescido”, afirma Bufoni. Ela também ressalta a energia contagiante da torcida brasileira, que confere uma atmosfera única aos eventos. Para Yuto Horigome, a liberdade e a paixão que sente ao andar de skate nas ruas paulistanas são incomparáveis, contrastando com as restrições encontradas em Tóquio.
Superando Desafios e Construindo o Futuro
A organização de eventos de skate de nível mundial nem sempre foi linear. Cancelamentos e renegociações entre a World Skate e entidades brasileiras, como a Confederação Brasileira de Skate (CBSk) e a Skate Total Urbe (STU), marcaram os anos anteriores. No entanto, a colaboração atual para sediar o Mundial em São Paulo representa um resgate e fortalecimento dessa parceria. A cidade também se prepara para sediar uma liga dos X Games, os “Jogos Olímpicos dos Esportes Radicais”, com Bob Burnquist como gerente do X Games Club São Paulo, reforçando seu status como polo global de atração para o esporte.
Agenda do Mundial de Skate em São Paulo:
Quarta-feira (03/03): Eliminatórias Park masculino e Street feminino, treinos oficiais.
Quinta-feira (04/03): Eliminatórias Street masculino e Park feminino, treinos oficiais.
Sexta-feira (05/03): Quartas de final Street feminino e Park masculino, treinos oficiais Paraskate.
Sábado (06/03): Quartas de final Street masculino e Park feminino, treinos oficiais.
Domingo (07/03): Semifinais Street e Park, finais Paraskate.
Segunda-feira (08/03): Finais Street feminino e masculino, finais Park masculino e feminino, cerimônia de premiação.





