RD Congo no Limiar da História: Desabre Exala Confiança para os Play-offs do Mundial 2026
Leopardos buscam retorno à elite global após mais de cinco décadas de ausência
A República Democrática do Congo, outrora Zaire, está a um passo de retornar à maior competição de futebol do mundo após 52 anos. Sob a batuta do selecionador Sebastien Desabre, os Leopardos chegam aos play-offs do Mundial 2026 repletos de confiança, sonhando em reeditar a participação histórica de 1974. A equipe centro-africana aguarda o vencedor do confronto entre Jamaica e Nova Caledônia para o decisivo jogo final, que definirá uma das duas últimas vagas para o torneio.
A Trajetória Rumo ao Sonho e o Objetivo de Longo Prazo
A jornada da RD Congo até esta fase eliminatória foi marcada por desafios, incluindo uma vitória suada sobre a Nigéria nos play-offs anteriores. Para Desabre, que assumiu o comando há três anos e meio, a meta de qualificação para o Mundial sempre foi o principal objetivo. “Estamos realmente motivados. Continuamos a caminho de alcançar o nosso principal objetivo. Foi esse o golo que definimos quando assumi este cargo”, afirmou o técnico ao site da FIFA.
Ele destacou a resiliência do grupo: “Esta final será o nosso 13º jogo desde que começou a campanha de qualificação. Sem dúvida, foi um percurso longo até aqui e ultrapassámos todas as etapas. É tudo o que vivemos juntos – os altos e os baixos. Essas experiências tornaram-nos mais fortes e resilientes, e trouxeram-nos até aqui. Depois de todo o trabalho árduo que os jogadores e a equipa técnica realizaram nos últimos três anos, merecem plenamente esta oportunidade.”
Solidez Defensiva e Coletividade como Pilares da Equipe
A força da RD Congo reside em sua organização tática e na união do elenco. Desabre enfatizou a solidez defensiva, que permitiu à equipe conceder apenas um gol nos últimos quatro jogos de qualificação, sem negligenciar o ataque. “A solidez defensiva é a base da nossa equipa, mas os nossos números ofensivos também têm sido positivos nos jogos recentes. Na RD Congo, temos a sorte de contar com jogadores talentosos que atuam em clubes de topo. Acima de tudo, todos aderiram verdadeiramente ao projeto que temos vindo a construir em conjunto”, explicou.
O treinador ressaltou o espírito coletivo: “Os jogadores partilham um laço forte dentro e fora do relvado. Todos estão a puxar para o mesmo lado para alcançar um objetivo comum. Conseguimos dificultar a vida aos adversários porque jogamos como um coletivo: os nossos avançados recuam, os nossos defesas avançam e todos colaboram, como soldados a entrar em campo pelo seu país.”
Sem Medo do Adversário e Foco Total no Desempenho
Os play-offs serão realizados em 26 e 31 de março de 2026, no México, servindo também como evento preparatório para o Mundial. Desabre se mostra destemido quanto aos possíveis adversários. “Não temos medo de ninguém. Vamos dar tudo o que temos. No mínimo, precisamos de repetir a exibição que conseguimos frente à Nigéria”, garantiu, referindo-se à vitória por 4-3 nos pênaltis após um empate em 1-1.
Ele acrescentou: “Conhecemos bem a Jamaica e a Nova Caledónia. Temos estado a observá-los. Vamos ter oportunidade de vê-los jogar no México a 26 de março, mas, por agora, estamos concentrados nos nossos próprios jogadores. Todos queremos ir ao Mundial, mas não podemos deixar que as emoções ou a dimensão do momento nos dominem. No fim, o que importa é jogar bem, manter os pés no chão e dar tudo o que temos no relvado.”
O Apoio de uma Nação Apaixonada e a Busca por Orgulho
A paixão dos congoleses pelo futebol é um combustível para a equipe. Desabre está ciente da expectativa e do desejo de orgulhar o país. “Precisamos de estar focados e apresentar um bom desempenho no dia para cumprir o objetivo e orgulhar a RD Congo. É isso que nos move. Os congoleses são apaixonados pelo futebol e alguns atravessam momentos difíceis. Sei que toda a nação vai parar a 31 de março para poder assistir ao jogo. Esperamos conseguir dar aos nossos adeptos o impulso que merecem”, concluiu.
A RD Congo participou apenas uma vez no Mundial da FIFA, em 1974, quando ainda era Zaire, tornando-se a primeira nação da África subsaariana a se qualificar. Naquela ocasião, terminou em 16º lugar, perdendo todos os jogos da fase de grupos, sem marcar gols e sofrendo 14, incluindo uma derrota por 9-0 para a Iugoslávia.
Os play-offs serão disputados em jogos únicos. Em caso de empate no tempo regulamentar, haverá prorrogação de 30 minutos, com a possibilidade de uma sexta substituição. Se o empate persistir, a decisão será nos pênaltis.
Convocados da RD Congo para o Torneio de Play-Off da FIFA:
- Guarda-redes: Theo Fayulu (FC Noah), Lionel Mpasi (Le Havre), Matthieu Epolo (Standard Liège).
- Defesas: Aaron Wan-Bissaka (West Ham United), Jeremy Ngakia (Watford), Joris Kayembe (Genk), Arthur Masuaku (Lens), Chancel Mbemba (Lille), Axel Tuanzebe (Burnley), Rocky Bushiri (Hibernian), Steven Kapuadi (Widzew Lodz), Dylan Batubinsika (Larissa).
- Médios: Noah Sadiki (Sunderland), Edo Kayembe (Watford), Samuel Moutoussamy (Atromitos), Charles Pickel (Espanyol), Ngal’ayel Mukau (Lille), Meschack Elia (Alanyaspor), Theo Bongonda (Spartak Moscovo), Nathanael Mbuku (Montpellier), Bryan Ssebinya (Castellon), Grady Diangana (Elche).
- Avançados: Simon Banza (Al Jazira), Fiston Mayele (Pyramids), Cedric Bakambu (Real Betis), Yoane Wissa (Newcastle United).





