A Associação de Ligas Europeias (European Leagues), que congrega 35 ligas continentais, reclamou formalmente esta quinta-feira por mudanças significativas na distribuição de receitas internacionais e por uma governança mais inclusiva da FIFA. O objetivo central é proteger o equilíbrio competitivo das competições nacionais e garantir uma participação ativa na elaboração do calendário desportivo global.
Reunida em sua 52ª Assembleia Geral (AG), a organização aprovou um plano estratégico para 2026-2027 focado no combate à pirataria, no reforço do diálogo social e na preservação do modelo desportivo europeu, que, segundo a entidade, está ameaçado pela crescente polarização financeira. Internamente, a AG marcou um avanço histórico ao permitir, pela primeira vez, a participação das ligas femininas no Conselho de Administração, assegurando uma voz ativa no crescimento do futebol feminino.
Claudius Schäfer, presidente da Associação de Ligas Europeias, foi enfático ao alertar que a expansão do calendário internacional não pode acontecer “à custa das ligas nacionais”. Ele criticou a atual distribuição de verbas, que, em sua visão, beneficia excessivamente um grupo restrito de clubes, culminando em um processo de “canibalização” do valor dos campeonatos internos. “A imprevisibilidade dos resultados em campo é o ativo mais importante de qualquer competição desportiva. Não nos podemos esquecer disso”, afirmou Schäfer, sublinhando a proteção do equilíbrio competitivo como a pedra angular da organização.
A entidade, que já apresentou uma queixa à Comissão Europeia contra a FIFA, juntamente com o Sindicato Internacional de Jogadores de Futebol (FIFPro), por abuso de posição dominante, reiterou a necessidade de estar presente nas mesas de decisão sobre calendários. “Quando a FIFA toma decisões sobre o calendário internacional ou a expansão das suas competições, as ligas não estão na mesa, nem os jogadores. A FIFA mantém o poder de tomar decisões unilaterais que afetam todo o ecossistema, com pouca responsabilização pelas consequências”, declarou Schäfer.
Alberto Colombo, secretário-geral do organismo, explicou que as mudanças propostas na distribuição de receitas não são radicais e não se limitam apenas aos pagamentos de solidariedade, mas sim ao modelo geral de redistribuição. Apesar da queixa formal, Colombo admitiu que “o diálogo com a FIFA está aberto”.
A Assembleia Geral contou ainda com a intervenção do comissário europeu para o desporto, o maltês Glenn Micallef. Ele defendeu a necessidade de proteger a posição das ligas nacionais como base da pirâmide e do modelo desportivo europeu. Micallef pediu o reforço do modelo de governança para garantir maior participação das partes interessadas nas tomadas de decisão e comprometeu-se a apoiar os esforços para combater a pirataria, que afeta importantes fontes de receita.