O técnico José Mourinho, do Benfica, voltou a se manifestar neste domingo sobre o controverso caso envolvendo o jogador argentino Gianluca Prestianni, acusado de racismo por Vinicius Júnior e Kylian Mbappé após o confronto contra o Real Madrid. Às vésperas da partida contra o Gil Vicente pelo Campeonato Português, Mourinho adotou um tom incisivo, porém sempre condicionado à conclusão das investigações oficiais.
Logo no início de sua coletiva de imprensa, o treinador português deixou clara sua posição pessoal. “Repudio qualquer tipo de discriminação, preconceito e ignorância. Aconselho também todos a lerem a Declaração Universal dos Direitos do Homem”, afirmou. Ele enfatizou a importância da presunção de inocência, princípio que, segundo ele, deve guiar qualquer julgamento.
Posição Firme, Mas Condicional
Mourinho fez questão de usar o “se” repetidamente ao abordar a possível responsabilidade de Prestianni. “Quero ser imparcial num caso que poderá ser de grande gravidade”, declarou. Em seguida, foi direto sobre as consequências internas caso a acusação seja confirmada: “Se o meu jogador não respeitou estes princípios, que são os meus e do Benfica, a sua carreira com um treinador que se chama Mourinho e num clube como o Benfica chega ao fim”.
Críticas à UEFA e Imparcialidade
Paralelamente, o técnico criticou a forma como a UEFA tem conduzido o caso, especialmente a aplicação de uma suspensão preventiva ao atleta. Com um tom irônico, Mourinho mencionou que a entidade “descobriu o artigo 4206328 como motivo para o suspenderem” e expressou descontentamento com a falta de cautela na comunicação da punição. “Se o jogador for efetivamente culpado, não vou voltar a olhar para ele como tenho olhado e comigo acabou, mas tenho de meter muitos ‘ses’ à frente”, completou.
Mourinho também comentou as declarações de Álvaro Arbeloa, técnico do Real Madrid, que se posicionou publicamente sobre o episódio. “Eu amo o Álvaro e vou continuar a amar, mas acho que fui quem tomou a decisão correta”, disse, explicando sua opção por não “vestir nem a camisa vermelha, Benfica, ou branca, Real” enquanto o caso permanece sob apuração.
O Caso da Camisa de Vinicius Jr.
Por fim, o treinador avaliou a repercussão em torno de Sidny Cabral, jogador do Benfica que trocou camisa com Vinicius Júnior após a partida. Para Mourinho, o gesto não é condenável, mas poderia ter sido evitado. “A questão da camisa não acho que seja criticável, seria evitável”, pontuou.





