O futebol brasileiro atravessa um de seus ciclos mais conturbados, com a Seleção sofrendo eliminações sucessivas em Copas do Mundo e um aproveitamento que, muitas vezes, mascara a realidade em amistosos. A pergunta que intriga torcedores e analistas é clara: o que aconteceu com a outrora “potência dominante” do esporte?
A Narrativa do “Pachequismo” e a Realidade
Para comentaristas como Mauro César Pereira, da Jovem Pan, grande parte do otimismo exagerado e da surpresa negativa do torcedor vem de uma narrativa alimentada pela própria imprensa, que ele denomina “Pachequismo” — um patriotismo acrítico. “O torcedor é iludido por uma imprensa do ‘oba-oba’. Fala-se muito em hexa e pouco de forma fria. O Brasil não é dominante como era antes”, critica Mauro César, apontando para uma soberba brasileira que desconsidera a evolução dos adversários.
O Raio-X dos Fracassos Recentes em Copas
A perda de domínio da Seleção Brasileira é evidenciada por um histórico recente de eliminações dolorosas em Copas do Mundo:
- 2014: A vergonha histórica do 7 a 1, com técnicos defasados, marcou um ponto de inflexão.
- 2018: Eliminação para a Bélgica em uma Copa considerada “meia-boca” para o Brasil.
- 2022: Queda para a Croácia, após um erro defensivo evitável, mesmo estando em vantagem.
Um fator crucial: as últimas seis eliminações do Brasil em Copas foram para seleções europeias, um indicativo da ascensão e superioridade tática do futebol do Velho Continente.
Evolução Adversária e a Perda de Terreno
A análise de especialistas aponta que, enquanto o Brasil se agarrava a uma imagem de hegemonia, os adversários, especialmente os europeus, passaram por uma evolução sem precedentes. Essa mistura de uma percepção interna superestimada com a melhora tática e estratégica de equipes como Alemanha, Bélgica e Croácia resultou na diminuição drástica do domínio da Seleção, tornando o hexa um desafio árduo.