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Bolívia aposta em nova geração de heróis para quebrar jejum de 32 anos e voltar à Copa do Mundo

Bolívia Aposta Em Nova Geração De Heróis Para Quebrar Jejum De 32 Anos E Voltar à Copa Do Mundo

Bolívia Aposta Em Nova Geração De Heróis Para Quebrar Jejum De 32 Anos E Voltar à Copa Do Mundo

A esperança em forma de cromo

Uma coleção de 54 cartas de futebol está gerando euforia na Bolívia. Cada cromo, vendido por 5 bolivianos (R$ 3,72), estampa os jogadores da seleção nacional que desembarcaram no México com uma missão singular: vencer a repescagem intercontinental e garantir o retorno à Copa do Mundo após 32 anos de ausência. Essas cartas se tornaram símbolos tangíveis da esperança de ver a ‘La Verde’ novamente no maior torneio de futebol do planeta.

Entre os convocados que ganharam seu espaço nas cartas estão Miguel Terceros, artilheiro boliviano nas Eliminatórias Sul-Americanas com 12 gols, o goleiro Carlos Lampe, o zagueiro Luis Haquín e os meio-campistas Ramiro Vaca e Robson Matheus. “Aqui na Bolívia há muita esperança quanto ao que a seleção fará no México”, afirmou à AFP Víctor Quispe, estatístico do futebol boliviano.

O caminho árduo para o Mundial

A Bolívia precisa de duas vitórias cruciais para concretizar o sonho do retorno, que remonta à edição de 1994, realizada nos Estados Unidos. Nesta quinta-feira (26), o primeiro obstáculo é o Suriname. Caso a vitória venha, o desafio final será contra o Iraque, no dia 31 de março, para selar a vaga na Copa deste ano na América do Norte. A repescagem está sendo disputada no estádio do Monterrey, no norte do México, onde torcedores bolivianos já se reúnem, movidos por um fervoroso apoio à sua seleção. Alguns, como Julio Pacheco, de 40 anos, fizeram um sacrifício considerável para estar presente.

Pacheco relatou uma jornada exaustiva de quase um dia inteiro, incluindo voos e longas escalas, para chegar a Monterrey. Apesar do cansaço, a ansiedade e a expectativa tomam conta: “Estou cansado da viagem, mas estou louco para o jogo começar. Estou muito ansioso! Se eu estou assim, como devem estar os jogadores?”. Ele gastou mais de US$ 1.900 (R$ 9.900) em passagens e hospedagem para uma estadia de 10 dias, motivado pela crença na classificação.

Lembranças de uma geração de ouro e a cautela estatística

O estatístico Víctor Quispe compartilha do otimismo, mas mantém uma dose de cautela. “Embora tenhamos esperança, também sabemos que somos muito limitados no futebol. Nas Eliminatórias, conquistamos apenas três pontos fora de casa, contra o Chile, e nos classificamos para esta repescagem em sétimo lugar. Além disso, Suriname e Iraque também estão lutando muito”, ponderou.

Quispe relembra a trajetória da seleção boliviana em Copas do Mundo: em 1930 e 1950, as participações foram por convite ou desistência de adversários. A memória mais vívida é a de 1994, quando a equipe, liderada pelo técnico espanhol Xabier Azkargorta, era considerada uma potência continental. Ídolos como Erwin “Platini” Sánchez e Marco “El Diablo” Etcheverry marcaram época. “Eu me lembro do ‘Platini’ com seu chute de longa distância, do Etcheverry e seus dribles, da garra do (Luis) Cristaldo, da atitude do (Marco) Sandy, da segurança do (Carlos) Trucco no gol…”, recordou Julio Pacheco.

A conexão renovada com os torcedores

Aquela geração de 1994 encerrou um jejum de 44 anos sem participação em Copas. O ex-goleiro Carlos Trucco, membro daquela equipe histórica, expressou a emoção de ver a seleção reconectar-se com a torcida. “O que eles queriam era que chegássemos a uma Copa do Mundo, que trouxéssemos alegria às pessoas, e nós conseguimos”, disse à AFP. A expectativa é de uma grande festa em La Paz caso a classificação se concretize.

Trucco, aos 68 anos, planeja apoiar a ‘La Verde’ na repescagem ao lado de sua filha, que nunca o viu jogar profissionalmente. “Minha filha, que nasceu em Santa Cruz de la Sierra, não pôde ver isso quando eu jogava, e ela me disse: ‘Papai, me leve ao jogo em Monterrey. Quero viver isso'”. Ele acredita que a atual geração tem potencial para se tornar heroica como a de 1994: “O time tem bom controle de bola e joga bem. Estamos prontos para apoiá-los das arquibancadas”.

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