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Sócio da CBF na Supercopa controla 5 times em Brasília e desafia fair play financeiro da entidade

Sócio Da Cbf Na Supercopa Controla 5 Times Em Brasília E Desafia Fair Play Financeiro Da Entidade

Empresário nega controle de múltiplos clubes, mas evidências apontam para influência direta

O empresário Luiz Estevão, 76 anos, figura conhecida por sua atuação na organização da Supercopa Rei e por ter sido o primeiro senador cassado em plenário, é apontado como o dono informal de cinco times de futebol profissional no Distrito Federal. Esses clubes disputam as mesmas competições e realizam negociações de atletas entre si, uma prática considerada ilegal pela Lei Geral do Esporte e que contraria diretamente as novas diretrizes de fair play financeiro estabelecidas pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Embora Luiz Estevão afirme ser proprietário apenas do Brasiliense e que empresta atletas para outros times para evitar que fiquem ociosos, reportagem do Estadão reuniu elementos que indicam seu controle sobre Brasiliense, Samambaia, Aruc, Cruzeiro e Ceilandense. A situação levanta sérias preocupações sobre a integridade das competições, devido ao risco de manipulação de resultados.

Conflito com leis e regras da CBF

A Lei Geral do Esporte, embora não proíba explicitamente que um mesmo investidor seja dono de mais de um clube, impõe regras rigorosas de governança e integridade competitiva para evitar conflitos de interesse. Uma das principais vedações é a participação de equipes de um mesmo grupo na mesma competição. A CBF, por sua vez, elegeu o fair play financeiro como prioridade, com o objetivo de construir um ecossistema de futebol mais forte e sustentável.

A reportagem apresentou as descobertas à CBF, que em nota declarou não ter recebido notificações formais sobre investigações em curso e se colocou à disposição para colaborar com medidas em prol do futebol nacional. Profissionais ligados ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) indicaram que o tema pode ser discutido na Corte, caso haja provocação.

Estrutura de controle e negociações suspeitas

Luiz Estevão, um dos maiores empresários de Brasília, com negócios em diversos setores, é o principal cartola do futebol na cidade. Desde 2023, ele compra da CBF o direito de organizar a Supercopa. A reportagem detalha como, informalmente, Estevão controla os cinco clubes, com decisões extracampo que podem afetar resultados e classificações do Campeonato Candango. Os clubes são geridos por pessoas de confiança do ex-senador, incluindo funcionários de seu grupo empresarial, que já foram citados em investigações do Ministério Público do Distrito Federal.

A dinâmica entre os clubes inclui um intenso intercâmbio de jogadores. Levantamento das transferências para a atual temporada revela que 57% dos atletas contratados pelos times secundários de Estevão vieram de alguma equipe do grupo, sendo 40% diretamente do Brasiliense. No Cruzeiro-DF, que disputa a segunda divisão, todo o elenco é oriundo de outros times controlados por ele. Um episódio em 2023, onde cinco jogadores foram retirados do Samambaia (time concorrente) para reforçar o Brasiliense, levantou suspeitas de manipulação de resultados.

Financiamento e relações questionáveis

A influência de Luiz Estevão no futebol local também se estende ao patrocínio de transmissões esportivas. O portal Metrópoles, fundado por ele, tentou adquirir os direitos de transmissão de todos os times do Candangão, oferecendo valores incompatíveis com o mercado local. A relação com patrocinadores como o BRB e o extinto Will Bank, ambos envolvidos em suspeitas de fraudes financeiras, também chama a atenção.

Apesar das evidências e da notoriedade da situação entre torcedores e jornalistas locais, o presidente da Federação de Futebol do Distrito Federal (FFDF), Daniel Vasconcelos, minimizou a questão, comparando a situação a ter um carro no próprio nome e outro no nome da esposa. A reportagem também aponta para a atuação de figuras como José Eduardo Bariotto Ramos, aliado de longa data de Estevão, e Maria Vânia Pinheiro de Brito, cujos nomes aparecem ligados às empresas e aos clubes.

Posição de Luiz Estevão e o futuro do futebol local

Em resposta, Luiz Estevão negou categoricamente ser dono dos cinco times, afirmando que apenas comanda o Brasiliense. Ele justificou sua presença nos gramados e a interação com os jogadores como forma de acompanhar o desempenho do “patrimônio do Brasiliense” emprestado a outros clubes. Estevão também declarou desconhecer as novas regras de fair play da CBF e manifestou o interesse em comprar um clube no Rio de Janeiro.

A situação expõe um complexo cenário de controle e influência no futebol do Distrito Federal, com implicações diretas para a integridade esportiva e a conformidade com as regulamentações vigentes, tanto nacionais quanto internacionais.

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