Reinaldo Carneiro Bastos busca terceiro mandato na FPF
Com mais de dez anos liderando o futebol de São Paulo, Reinaldo Carneiro Bastos, de 72 anos, se candidata a mais um mandato como presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF). Ele expressou confiança em sua reeleição, prevista para abril, e acredita ter o apoio da maioria dos clubes. Bastos argumenta que as decisões da federação, como a alteração no formato do Paulistão para se adaptar às mudanças de calendário impostas pela CBF, foram bem recebidas pelos clubes.
“A chance de reeleição é alta”, afirmou Bastos em entrevista ao Estadão. Ele destacou que o Paulistão foi o campeonato estadual mais impactado pelas novas competições nacionais e internacionais, mas que as mudanças eram necessárias diante da “ganância de datas” da FIFA.
Redução de cotas e aumento proporcional por jogo
Uma das principais mudanças detalhadas pelo presidente foi a redução do valor total das cotas de participação pagas aos clubes. Os quatro grandes clubes do estado, que recebiam R$ 44 milhões até o ano passado, terão um repasse de R$ 34 milhões em 2024. Bastos, no entanto, ressalta que, apesar da diminuição do valor total, o montante pago por jogo aumentou em 17%. Essa redução se deve à diminuição de quatro datas na fase de grupos do campeonato, passando de 12 para 8 jogos.
Críticas à permanência no cargo e o futuro de Bastos
Questionado sobre as críticas de que sua permanência prolongada no cargo dificulta a renovação política no futebol paulista, Bastos rebateu que tais críticas geralmente vêm de quem almeja a posição sem sucesso. Ele mencionou a aprovação unânime de alterações estatutárias para adequação às normas da FIFA e Conmebol, destacando que os clubes participam ativamente das decisões. Caso seja reeleito, Bastos afirmou que este será seu último mandato como presidente da FPF, encerrando sua atividade no futebol em 2027.
Sobre seu provável adversário, o advogado Wilson Marqueti, Bastos se mostrou cético quanto ao apoio que ele poderia obter. “Ele não vai ter apoio de clube algum. Nem de grande nem de médio nem pequeno”, declarou Bastos, afirmando que Marqueti desconhece o funcionamento da Federação por não ter tido convivência interna.
Novas propostas para o futebol paulista e arbitragem
Bastos também abordou a necessidade de criar novos líderes para o futebol, tanto em entidades quanto em clubes, através de capacitação. Ele citou a FPF Academia como um exemplo de iniciativa nesse sentido. Em relação à arbitragem, o presidente defendeu a necessidade de profissionalização com estrutura e suporte, comparando a dedicação aos atletas com a dos árbitros.
A FPF confirmou que não possui dívidas fiscais e que as questões trabalhistas estão sendo tratadas. A federação também busca reduzir despesas em cerca de 15% a 20%. A diminuição de receita, segundo Bastos, ocorreu principalmente pela reestruturação do modelo de pay-per-view, que antes rendia cerca de R$ 60 milhões.
O presidente também comentou sobre a relevância das SAFs (Sociedades Anônimas do Futebol) para a gestão dos clubes, especialmente no interior, trazendo mais transparência e profissionalismo. Ele reiterou que não há espaço para “aventuras” no futebol atual e que seu principal objetivo é melhorar a formação de atletas e profissionais na modalidade.