Ícone do site Dpsporte Aposte Aqui

Atacante Ênio, da Chapecoense, é Denunciado por Fraude Milionária em Apostas e Lavagem de R$ 1,9 Milhão; Entenda a Polêmica do Brasileirão 2025

Atacante Ênio, Da Chapecoense, é Denunciado Por Fraude Milionária Em Apostas E Lavagem De R$ 1,9 Milhão; Entenda A Polêmica Do Brasileirão 2025

Atacante Ênio, Da Chapecoense, é Denunciado Por Fraude Milionária Em Apostas E Lavagem De R$ 1,9 Milhão; Entenda A Polêmica Do Brasileirão 2025

O atacante Ênio, atualmente emprestado à Chapecoense pelo Juventude, foi formalmente denunciado pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) sob acusações graves de fraude, manipulação de competição esportiva e lavagem de valores. A denúncia aponta que o jogador teria solicitado ou aceitado receber mais de R$ 1,9 milhão para intencionalmente forçar cartões amarelos em duas partidas do Brasileirão de 2025, período em que ainda defendia as cores do Juventude. Enquanto a defesa do atleta enfaticamente alega a presunção de inocência, ela também argumenta que a conduta imputada não se enquadra na tipificação criminal, baseando-se em uma recente e relevante decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

Detalhes da Denúncia e Jogos Sob Suspeita

A denúncia, assinada pelo promotor de Justiça Manoel Figueiredo Antunes, foi apresentada em 30 de janeiro à Vara Criminal da Comarca de Caxias do Sul. O documento detalha o envolvimento de Ênio em um esquema de manipulação de apostas, apontando para a ocultação de valores superiores a R$ 1,9 milhão, supostamente obtidos de forma ilícita. Segundo Antunes, o atleta teria recebido pagamentos para forçar cartões amarelos em duas partidas cruciais do Brasileirão 2025: o jogo entre Juventude e Vitória (vitória do Juventude por 2 a 0), em 29 de março, e a goleada sofrida para o Fortaleza (5 a 0), em 10 de maio. Em ambas as ocasiões, Ênio recebeu a advertência. A investigação revelou um aumento anormal de apostas na modalidade “cartão de jogador” antes desses confrontos, indicando que os apostadores já possuíam conhecimento prévio do resultado dos lances.

Ação do MP-RS e Alertas da CBF

As suspeitas em torno de Ênio não surgiram do nada. Em abril de 2025, antes mesmo do segundo jogo investigado, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) já havia comunicado o Juventude sobre um alerta de manipulação de resultados envolvendo o atacante. Este alerta foi gerado a partir de um relatório da Ibia (Associação Internacional de Integridade em Apostas Esportivas), que identificou padrões suspeitos no cartão amarelo recebido pelo jogador na primeira rodada do Brasileirão. Diante da gravidade das informações, o MP-RS deflagrou a Operação Totonero em 20 de maio de 2025, cumprindo dois mandados de busca: um na residência de Ênio e outro no Estádio Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul. As provas coletadas durante a operação foram posteriormente compartilhadas com a Polícia Federal, visando a apuração de eventuais crimes de caráter interestadual.

A Defesa do Atleta e o Entendimento do STF

Antes mesmo da deflagração da Operação Totonero, Ênio se manifestou publicamente em 9 de abril de 2025, por meio de suas redes sociais, para declarar sua inocência e justificar os lances que estavam sob suspeita. O atleta afirmou que, desde o início de sua carreira, sempre teve uma conduta “absolutamente correta” e jamais se envolveu com qualquer atividade ilícita. Em sua defesa sobre o cartão contra o Vitória, ele explicou: “Sofri uma falta clara, onde o jogador do Vitória me desequilibra… Ao questionar o juiz sobre a falta não marcada, recebi o cartão amarelo”.

A defesa do jogador, em nota, argumenta que a conduta imputada a Ênio é “atípica” do ponto de vista jurídico-penal. Eles se baseiam no artigo 198 da Lei Geral do Esporte, que incrimina apenas os pactos de vantagem indevida destinados a “alterar ou falsear o resultado da competição esportiva”. A pena prevista para este delito é de reclusão de dois a seis anos e multa.

Esse posicionamento da defesa encontra respaldo em uma decisão da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), de dezembro do ano anterior. O STF determinou que provocar cartões para favorecer apostas esportivas não se enquadra como manipulação de jogos, pois, segundo o entendimento, a ação não possui potencial real para alterar o resultado ou o curso da partida. O ministro Gilmar Mendes, em seu voto decisivo, argumentou que, embora os fatos possam levar a punições na esfera esportiva, a conduta em si não configura um crime.

Repercussão nos Clubes e o Futuro da Carreira

Diante das sérias acusações, a Chapecoense, clube onde Ênio está emprestado, não se pronunciou quando procurada. O Juventude, clube de origem do atleta, também optou por não emitir manifestação oficial, embora, após o segundo caso investigado, tivesse declarado que adotaria “medidas cabíveis”. Contudo, Ênio continuou a atuar pela equipe gaúcha, participando de mais 18 jogos no restante daquela temporada, que culminou com o rebaixamento do Juventude para a Série B, na 19ª posição. A defesa de Ênio criticou a divulgação de informações sobre um processo que corre em sigilo, afirmando que isso “antecipa conclusões inexistentes e causa prejuízos relevantes à imagem, à carreira e à vida pessoal do atleta”. O caso segue em apuração, e a controvérsia jurídica sobre a tipificação da conduta promete gerar novos debates.

Sair da versão mobile