O lateral-esquerdo Vanderlan, com passagens pelo Palmeiras e atualmente defendendo o Red Bull Bragantino, foi submetido a uma cirurgia cerebral bem-sucedida para tratar uma Malformação Arteriovenosa (MAV) Cerebral. O procedimento foi realizado na terça-feira (20) no hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo.
A MAV Cerebral é uma condição vascular rara, diagnosticada em cerca de 10 a cada 100 mil pessoas globalmente. O diagnóstico de Vanderlan ocorreu após o jogador apresentar, recentemente, um quadro infeccioso acompanhado de fortes dores de cabeça (cefaleia). Exames de imagem subsequentes identificaram a alteração, que demandou investigações aprofundadas e acompanhamento com diversos neurocirurgiões.
O Procedimento e a Recuperação
Após diversas consultas e avaliações, o clube, o atleta e seus familiares optaram pela realização da cirurgia. O procedimento foi conduzido pelo Dr. Feres Chaddad, uma referência em MAV na América Latina. Segundo nota oficial divulgada pelo Bragantino, a cirurgia foi bem-sucedida, e Vanderlan passa bem, iniciando em breve seu período de recuperação. A expectativa é que o jogador retorne à prática esportiva nos próximos meses.
A Trajetória de Sucesso no Futebol
Natural da Bahia, Vanderlan, de 23 anos, foi revelado nas categorias de base do Palmeiras, ascendendo ao time profissional em 2021. Pelo Alviverde, o lateral fez parte do elenco campeão da Libertadores em 2021, além de conquistar o tricampeonato Paulista (2022, 2023 e 2024), o bicampeonato Brasileiro (2022 e 2023) e a Supercopa do Brasil (2023). No total, disputou 108 partidas e marcou um gol pelo Palmeiras.
Vanderlan foi negociado com o Red Bull Bragantino em agosto, após a disputa do Mundial de Clubes da Fifa, e tem contrato com a equipe do interior paulista até 2030.
O que é a MAV Cerebral? Entenda a Condição Rara
A Malformação Arteriovenosa Cerebral é uma alteração do sistema vascular cerebral, caracterizada por um emaranhado de artérias e veias malformadas, com um formato que se assemelha a uma bola de lã. Em condições normais, o sangue rico em oxigênio é levado do coração para o cérebro pelas artérias, passa pelos capilares (pequenos vasos) e retorna aos pulmões pelas veias.
Na MAV, há uma conexão anômala direta entre artérias e veias, sem a interposição dos capilares. Essa ligação anormal pode causar o ‘roubo’ de fluxo sanguíneo de áreas cerebrais adjacentes, deixando-as desnutridas, o que pode levar à atrofia e perda de função. Além disso, esses vasos malformados são propensos à ruptura, podendo causar hemorragias cerebrais e a formação de coágulos.
Sintomas e a Complexidade do Diagnóstico
Quando sintomática, a MAV pode se manifestar através de dores de cabeça intensas (cefaleia), tontura, perda de visão, convulsões, déficits cognitivos (problemas de memória, atenção), e déficits motores. Esses sintomas podem ser decorrentes tanto do roubo de fluxo sanguíneo quanto de um sangramento após a ruptura da MAV. Em casos mais graves, a ruptura pode ser fatal, e a condição pode ser identificada apenas post-mortem, o que ressalta a dificuldade e a importância do diagnóstico precoce. A complexidade de sua detecção e tratamento a tornam uma condição desafiadora para a medicina.





