Crise política na CBF: Ednaldo Rodrigues afastado após denúncias de gastos e autoritarismo
O ano de 2025 se encerra turbulento para a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Após um período de constrangimentos que se arrastou desde 2024, com a frustrada contratação de Carlo Ancelotti e a posterior chegada de Dorival Júnior ao comando da seleção, a entidade vive um momento de profunda crise política. O presidente Ednaldo Rodrigues foi afastado do cargo após denúncias de gastos excessivos e gestão autoritária, expostas pela revista piauí.
As investigações revelaram um aumento expressivo nos salários de dirigentes, com valores que chegaram a R$ 215 mil mensais, incluindo um 16º salário, contrastando com os R$ 50 mil pagos anteriormente. A situação se agravou com o envolvimento do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, que, até então, mantinha Ednaldo no cargo diante de um processo movido no Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ). O processo, iniciado em 2023, determinou o afastamento de Ednaldo, em uma articulação que envolveu o desembargador Luiz Zveiter e seu filho, Flávio Zveiter, que visava suceder Ednaldo na CBF.
Fraude em acordo e intervenção do STF precipitam o fim da gestão de Ednaldo
A repercussão negativa dos gastos e da gestão autoritária desgastou o apoio a Ednaldo Rodrigues. A formalização de seu afastamento ocorreu após a descoberta de uma suposta fraude em um acordo que garantia estabilidade à sua gestão, assinado em janeiro de 2025. A acusação centralizava-se na incapacidade de um dos signatários, o ex-presidente coronel Nunes, de assinar o documento. O caso ganhou contornos mais sérios com uma perícia anexada ao processo, que levou o STF a determinar que o TJ-RJ investigasse a assinatura em questão. Esse acordo já havia sido homologado pela própria Suprema Corte em fevereiro.
Com o “aval” do STF para a investigação, o TJ-RJ procedeu com o afastamento de Ednaldo. Uma fonte ouvida pelo jornal O Estado de S. Paulo descreveu a instabilidade jurídica gerada pela decisão do STF como “a gota d’água”. Ednaldo tentou reverter a decisão através do departamento jurídico da CBF e, paralelamente, a entidade convocou novas eleições. Contudo, o presidente afastado solicitou, com urgência, ao STF a paralisação do processo eleitoral. Posteriormente, em um movimento para “pacificar” o futebol brasileiro, Ednaldo desistiu de seu retorno, renunciando à impugnação da decisão do desembargador Zé firo, do TJ-RJ.
Novo comando e foco na Copa do Mundo de 2026
Com a saída de Ednaldo Rodrigues, a CBF elegeu Samir Xaud como seu novo presidente, com mandato até 2029. A eleição ocorreu sem adversários, após a articulação de 32 clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro em apoio a Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF). No entanto, a chapa de Bastos não foi inscrita, e Xaud emergiu como candidato único, com o apoio de 25 federações. Flavio Zveiter foi nomeado um dos vice-presidentes, e Gustavo Feijó, presidente da Federação Alagoana de Futebol, assumiu a diretoria de seleções.
Enquanto a cúpula da CBF passava por essas transformações, a seleção brasileira, sob o comando de Carlo Ancelotti, focava na preparação para a Copa do Mundo de 2026. O técnico italiano abordou a questão da convocação de Neymar de forma enfática: “Se Neymar merecer estar na Copa do Mundo, está bem. Se Neymar estiver melhor que outro (jogador), vai jogar a Copa do Mundo. Ponto. Eu não tenho dívida com ninguém”. O Brasil tem buscado consolidar uma forma de jogo sem a presença de Neymar, algo que não ocorria desde 2010, e tem como foco os desafios contra Marrocos, Haiti e Escócia na fase de grupos, além de amistosos contra França e Croácia em março.





