Thiago Silva no FC Porto: Do Trauma da Tuberculose em 2005 e a Quase Aposentadoria ao Sonho da Liga Europa e da Seleção Brasileira aos 41 Anos
O zagueiro brasileiro, agora vestindo a camisa 3 do FC Porto, abriu o coração sobre as dificuldades de sua primeira passagem pelo clube e a doença que quase encerrou sua promissora carreira.
O retorno de Thiago Silva ao FC Porto, agora como o novo número 3, é um capítulo de redenção e esperança. O experiente zagueiro brasileiro, que chega para reforçar o líder da Liga Portugal, expressou sua imensa satisfação em voltar a Portugal e ao clube que o acolheu em um dos momentos mais desafiadores de sua vida.
“É um momento único na minha vida. Quero agradecer ao FC Porto e ao presidente pela oportunidade de voltar aqui e vestir esta camisola pela segunda vez. Na primeira não tive a oportunidade de vestir a da equipa principal e de disputar a Liga, mas estou muito feliz e muito motivado por este meu regresso”, declarou Thiago Silva em entrevista ao site oficial do clube.
O Difícil Recomeço em 2005 e a Tuberculose
A primeira passagem de Thiago Silva pelos Dragões, em 2005, foi marcada por uma batalha silenciosa contra a tuberculose, uma doença que ele só viria a diagnosticar meses depois. O zagueiro relembra a confusão e a dor que sentia em campo, sem saber a causa.
“Acho que muitas coisas influenciaram o meu trabalho. Uma das principais situações foi a minha tuberculose, que descobri quando cheguei ao Porto. Enquanto estava a treinar e a jogar, não sabia o que me impedia de dar o máximo, mas não conseguia treinar bem, doía-me bastante o peito e a cabeça, mas nada foi diagnosticado”, revelou. Foi somente após sua transferência para o Dínamo de Moscovo que uma bateria de exames revelou a doença que comprometia seu pulmão. “Eu estava muito doente, dizem que eu joguei 14 jogos, mas eu não me lembro de ter jogado os 14 jogos. Passei um momento muito difícil, acho que foi um dos piores da minha vida”, acrescentou.
A Batalha Pela Carreira e os Anjos da Guarda
O ano de 2005 quase marcou o fim precoce da carreira de Thiago Silva. Os médicos na Rússia chegaram a sugerir uma cirurgia pulmonar que, segundo ele, o impediria de jogar novamente. “2005 foi um dos piores anos da minha vida e da minha carreira. Havia um grande ponto de interrogação sobre se iria voltar a jogar futebol”, admitiu.
A salvação veio através de um grupo de pessoas que ele carinhosamente chama de “anjos de guarda”: o treinador Ivo Wortmann, seus empresários e sua família. Eles o convenceram a parar o tratamento na Rússia e buscar uma segunda opinião no Porto. “O especialista disse para eu ficar tranquilo porque voltaria a jogar. Isso deixou-me mais tranquilo, mas com uma responsabilidade e um objetivo grande de voltar um dia para a Europa e jogar ao mais alto nível”, lembrou o defensor, que nutre grande admiração pelo ídolo Jorge Costa.
Novos Objetivos nos Dragões: Liga Europa e Títulos
Focado no presente, Thiago Silva já acompanha de perto a dinâmica do FC Porto. Ele elogiou a vitória sobre o Santa Clara e demonstrou ambição em relação aos objetivos do clube, especialmente a Liga Europa, competição que ele nunca disputou.
“Vi uma equipa com todas as capacidades para ir aos Açores e conseguir o resultado positivo… Foi um jogo duro, mas eu acho que o FC Porto foi quem mais se entregou ao jogo e quis vencer, por isso foi merecedor da vitória”, analisou. Sobre a competição continental, ele é direto: “As pessoas dizem-me sempre que nunca ganhei a Liga Europa. Isso acontece porque eu nunca joguei a competição. Este ano tenho essa oportunidade, espero que possamos fazer uma grande temporada.” O zagueiro também fez questão de enaltecer o trabalho do técnico Farioli, creditando-o pela união e espírito da equipe.
O Sonho Inacabado na Seleção Brasileira aos 41 Anos
Apesar dos 41 anos, Thiago Silva não esconde o desejo de vestir novamente a camisa da Seleção Brasileira. Ele, que é um dos principais capitães em Mundiais pela Canarinho, sente que ainda há um capítulo a ser escrito.
“Isso deixa-me muito feliz, mas não por completo, porque acho que faltou a cereja no topo do bolo para completar tudo isto. Acho que ainda não está terminado este percurso, ainda temos oportunidades, mas com certeza isso deu-me um extra que agora quero trazer para ajudar a equipa técnica, os jogadores e os adeptos a voltarem a festejar o título nacional”, concluiu, mostrando que a chama da Seleção ainda arde forte em seu coração.





