Rui Patrício, o guardião que se notabilizou pela sua presença imponente na baliza e pela serenidade em campo, encerrou oficialmente a sua carreira de duas décadas como futebolista profissional. Aos 37 anos, o ex-internacional português, que se sagrou campeão europeu em 2016 com Portugal, despediu-se dos relvados numa cerimónia na Cidade do Futebol, em Oeiras.
A sua trajetória é marcada por feitos notáveis: tornou-se o guarda-redes com mais internacionalizações pela seleção portuguesa, somando 108 jogos, e é o segundo jogador com mais partidas oficiais pelo Sporting, com 467, atrás apenas de Hilário. Além do Campeonato da Europa de 2016, Patrício ergueu a Liga das Nações em 2019 com a equipa das quinas.
Os Primeiros Passos e a Consagração no Sporting
Nascido em Leiria a 15 de fevereiro de 1988, Rui Pedro dos Santos Patrício deu os primeiros pontapés na bola como jogador de campo no Leiria e Marrazes. Foi ao aceitar defender a baliza que captou a atenção do Sporting, que o recrutou em 1999 para a equipa sub-13. Após cumprir a formação na academia de Alcochete, integrou o plantel principal leonino com apenas 18 anos, na época 2006/07.
A sua estreia na Liga portuguesa, a 19 de novembro de 2006, foi memorável. Substituindo os lesionados Ricardo e Tiago, o jovem leiriense foi decisivo na vitória por 1-0 sobre o Marítimo, no Funchal, ao defender uma grande penalidade. A partir de novembro de 2007, Patrício assumiu a titularidade da baliza do Sporting, conquistando duas Taças de Portugal, duas Supertaças e uma Taça da Liga ao serviço dos ‘leões’. A sua carreira no clube e na seleção esteve umbilicalmente ligada a Paulo Bento, o treinador que o lançou em ambos os palcos.
O Herói de Portugal e a Glória Internacional
Apesar de erros pontuais, Rui Patrício manteve sempre a confiança de Paulo Bento, sendo convocado para o Euro 2008 (sem jogar) e tornando-se titular indiscutível a partir do Euro 2012, estatuto que manteve no Euro 2016, no Mundial 2018 e no Euro 2020. Em 2016, no Europeu realizado em França, o guarda-redes foi totalista e brilhou intensamente. Defendeu o penálti de Kuba Blaszczykowski no desempate com a Polónia nos quartos de final e protagonizou uma exibição de gala na final contra a França.
As suas defesas espetaculares, incluindo uma que travou um remate de Gignac nos instantes finais do tempo regulamentar, foram cruciais para Portugal vencer no prolongamento e sagrar-se campeão europeu pela primeira vez. Essa noite valeu-lhe a alcunha de ‘São Patrício’, um reconhecimento da sua importância histórica.
A Saída Conturbada e a Carreira Pós-Sporting
A final do Euro 2016 foi o auge de uma carreira que sofreria uma guinada no final da época 2017/18. Após uma derrota que custou ao Sporting o segundo lugar e a qualificação para a Liga dos Campeões, seguiu-se a trágica invasão à academia de Alcochete. Rui Patrício, então capitão, cumpriu o seu último jogo como ‘leão’ na derrota da final da Taça de Portugal de 2018, sendo o primeiro jogador a rescindir unilateralmente o contrato com o Sporting em consequência dos acontecimentos.
Rumo ao Wolverhampton, treinado por Nuno Espírito Santo, Patrício realizou 127 jogos. Em 2021/22, transferiu-se para a Roma, onde, sob o comando de José Mourinho, conquistou a edição inaugural da Liga Conferência. Cumpriu 129 jogos em três temporadas na capital italiana, antes de passagens mais curtas pela Atalanta e, finalmente, pelo Al Ain, dos Emirados Árabes Unidos, o seu último clube.
Rui Patrício deixa uma marca indelével no futebol português e internacional. A sua presença serena entre os postes, aliada a uma capacidade inata de decisão e a defesas cruciais, consolidou a sua imagem como um dos mais notáveis guarda-redes da sua geração, um verdadeiro ícone que inspirou milhões de adeptos.