Investigação sobre o Tricolor teve início no ano passado, mas Polícia Civil já monitorava clubes paulistas
A investigação sobre supostos desvios financeiros nas contas do São Paulo, que levou a uma denúncia anônima e à abertura de um inquérito policial, não foi o ponto de partida para a Polícia Civil paulista no que diz respeito a irregularidades em clubes de futebol. Segundo apurado, o Tricolor já estava no radar da corporação desde o início do ano passado, período em que as atenções estavam voltadas para o Corinthians.
Ligação com o PCC: O elo entre Corinthians e São Paulo
O delegado Tiago Fernando Correia, da 3ª Divisão de Investigações sobre Crimes contra a Administração e Combate à Lavagem de Dinheiro (Dicca), responsável pela investigação do caso Vai de Bet – que apura irregularidades no contrato entre o Corinthians e a casa de apostas –, identificou um elo entre os dois clubes. Ao investigar as acusações de desvios contra o presidente do São Paulo, Júlio Casares, com saques que somam R$ 11 milhões, o delegado lembrou de um nome investigado no caso do Corinthians que atuava como empresário de um jogador do São Paulo em 2024: o atacante Juan Santos.
Danilo Lima de Oliveira, o “Tripa”, e suas conexões com o crime organizado
Trata-se de Danilo Lima de Oliveira, conhecido como “Tripa”, identificado como agente de jogadores e, segundo colaboração premiada, integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC). “Tripa” é dono da Lion Soccer Sports e teria participação na UJ Football Talent Intermediação, empresa apontada como um braço do PCC. A Lion Soccer Sports agenciava a carreira de Juan Santos, revelado pelo São Paulo e vendido à Turquia em agosto de 2024. Antes de ser assassinado em novembro de 2024, a pessoa que colaborou com as investigações alegou que a facção criminosa utilizava empresas de gestão de carreira de jogadores de futebol para lavar dinheiro de atividades ilícitas. “Tripa” é suspeito de agir a mando de um dos maiores traficantes do PCC, Anselmo Bechelli Santa Fausta, o “Cara Preta” ou “Magrelo”, lavando recursos da venda de entorpecentes.
Movimentações financeiras e envolvimento com ex-dirigentes do Corinthians
A UJ Football Talent movimentou quase R$ 26 milhões entre fevereiro de 2021 e fevereiro de 2022, sendo R$ 280 mil enviados para a Lion Soccer Sports. Imagens também mostram “Tripa” ao lado de Marino Rosa e Thiago Laurindo, que atuaram com o ex-presidente do Corinthians, Augusto Melo, no União Barbarense e mantiveram proximidade com o clube alvinegro. O empresário também agenciou as carreiras de Matheus Araújo e Murillo, então jogadores do Corinthians. Em junho do ano passado, o inquérito que investigou o Corinthians e a Vai de Bet foi concluído, indiciando o então presidente Augusto Melo por associação criminosa, furto qualificado e lavagem de dinheiro. O São Paulo é investigado por 35 saques em dinheiro vivo, totalizando R$ 11 milhões, entre janeiro de 2021 e dezembro de 2025. As operações foram classificadas como atípicas pelo Coaf. O impeachment de Júlio Casares será votado na próxima sexta-feira, 16.





