Investigação em Andamento
A Polícia Civil de São Paulo está conduzindo uma investigação minuciosa sobre uma série de 35 saques em dinheiro vivo, totalizando R$ 11 milhões, realizados das contas do São Paulo Futebol Clube. As retiradas ocorreram entre janeiro de 2021 e dezembro de 2025, período que abrange a atual gestão do presidente Julio Casares. A informação, divulgada inicialmente pelo Uol e confirmada pelo Estadão, aponta que as transações foram classificadas como atípicas por instituições financeiras e pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Detalhes das Movimentações
Segundo o relatório do Coaf, a maioria dos saques, 33 no total, foi efetuada no Banco Bradesco, enquanto outros dois ocorreram no Banco Rendimento. O fluxo financeiro revela uma concentração de retiradas nos últimos anos: R$ 5,2 milhões foram sacados em 2024, distribuídos em 11 operações. Em 2025, R$ 1,7 milhão foi retirado em cinco saques. O relatório indica que, inicialmente, os saques eram feitos por um funcionário do clube, mas posteriormente o São Paulo passou a utilizar uma empresa de carro-forte para realizar 28 das 35 operações.
Posicionamento do Clube e da Defesa
Em resposta à imprensa, o São Paulo Futebol Clube declarou que possui a contabilidade e os registros necessários para o pagamento de despesas operacionais, que estão passando por auditoria. O clube assegura que toda a movimentação financeira é informada à Receita Federal e que não há saques sem registro ou devida contabilização. A defesa do presidente Julio Casares, representada pelos advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine, afirmou que todas as movimentações financeiras possuem origem lícita e legítima, com lastro compatível com a capacidade financeira do dirigente, que atuou em cargos de alta direção na iniciativa privada antes de assumir a presidência do clube. A defesa reiterou que a origem dos recursos será esclarecida durante a investigação.
Contexto e Repercussão no Clube
Este caso de saques milionários se soma a outras polêmicas que têm abalado a gestão do São Paulo. Recentemente, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) foi acionado para investigar a venda irregular de ingressos em um camarote do MorumBis. Conselheiros de oposição já haviam cobrado o Conselho Deliberativo por um possível afastamento de Casares, e um pedido de renúncia também foi feito anteriormente. Paralelamente, um grupo de torcedores organiza o registro de uma notícia-fato junto ao MP-SP para a investigação do caso, que se junta a uma denúncia anônima anterior sobre gestão temerária. Apesar das pressões, o Estadão apurou que Julio Casares não avalia a renúncia ou o afastamento do cargo.





