Home / esporte / Método de saque em espécie investigado na Lava Jato levanta suspeitas sobre esquema no São Paulo

Método de saque em espécie investigado na Lava Jato levanta suspeitas sobre esquema no São Paulo

Método De Saque Em Espécie Investigado Na Lava Jato Levanta Suspeitas Sobre Esquema No São Paulo

Saques Milionários em Espécie Geram Suspeitas

A Polícia Civil investiga um suposto esquema de desvio de verbas no São Paulo Futebol Clube, com foco em cerca de R$ 11 milhões em dinheiro vivo retirados de contas do clube entre 2021 e 2025. As 35 operações de saque em espécie, consideradas atípicas por bancos e pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), dificultam o rastreio do dinheiro. Segundo a defesa do clube, os saques visavam cobrir despesas corriqueiras como premiações a jogadores, arbitragem e direitos de imagem, e o uso de carros-fortes se deu por questões de segurança, especialmente devido à localização da sede do clube.

Dificuldade de Rastreio e Uso de Carros-Fortes

Diferentemente de transferências eletrônicas, saques em dinheiro interrompem a trilha digital, tornando a identificação do beneficiário final mais complexa. O advogado Pedro Ivo Gricoli Iokoi, representante do São Paulo, ressalta a necessidade de segurança em um bairro como o Morumbi. A contratação de uma empresa de segurança para realizar os saques, após o início das movimentações, também chamou a atenção da polícia. O advogado criminalista Carlo Luchione aponta que o uso de carros-fortes, embora comum, já foi associado a métodos de lavagem de dinheiro em investigações como a Lava Jato, pois dificulta o rastreamento de quem efetivamente recebeu os valores, especialmente com o uso de terceiros ou empresas de fachada.

Depósitos Atípicos na Conta do Presidente

Paralelamente, o inquérito apura um depósito de R$ 1,5 milhão em dinheiro vivo, sem origem detalhada, na conta do presidente do clube, Júlio Casares. Os depósitos, realizados em 132 operações entre janeiro de 2023 e maio de 2025, levantaram suspeitas por não condizerem com o salário do presidente, que é de R$ 27,5 mil. A investigação aponta para uma prática conhecida como “smurfing”, onde depósitos fragmentados são feitos para evitar alertas automáticos do Coaf, uma estratégia clássica para dissimular a origem de valores ilícitos. A defesa de Casares, no entanto, garante a origem lícita do dinheiro, argumentando que se trata de economias feitas por ele em sua carreira no mercado privado antes de assumir a presidência do clube.

Defesa e Próximos Passos

Tanto a defesa do clube quanto a do presidente afirmam que um perito contador está sendo utilizado para elaborar laudos detalhados que comprovarão a destinação de cada saque e a origem dos depósitos. Os advogados do São Paulo enfatizam a transparência e a responsabilidade com o patrimônio do clube, prometendo investigar e recomendar medidas cabíveis caso desvios sejam confirmados. A defesa de Casares reforça que o inquérito não iniciou com foco nele, mas que ele foi incluído na investigação por conta do fluxo financeiro, e que a legalidade e legitimidade dos valores serão demonstradas. A investigação abrange o período de janeiro de 2021 a novembro de 2025, período em que o São Paulo realizou centenas de partidas pelo futebol profissional masculino e feminino.

Marcado:

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

© 2025 simbadpsports - Todos os direitos reservados Termos de uso. O conteúdo deste site, incluindo todos os textos, imagens e materiais são propriedade exclusiva da simbadpsports e não podem ser reproduzidos, modificados ou distribuídos sem permissão prévia por escrito.