A guarda-redes Lena Pauels, um dos pilares do Benfica feminino, partilhou as suas expectativas e análises sobre o próximo desafio europeu: o embate com o Barcelona, vice-campeão da Europa, no Estádio Johan Cruyff. Em declarações exclusivas ao Flashscore, Mundo Deportivo e Marca, numa ação promovida pela UEFA, a jogadora abordou não só a estratégia para a partida, mas também o seu percurso no clube, o desenvolvimento do futebol feminino em Portugal e a emoção de vestir a camisola encarnada.
A Análise e o Respeito pelo Adversário Catalão
O confronto com o Barcelona é aguardado com grande entusiasmo. Pauels reconhece a força do adversário: “Sabemos que o Barcelona é uma das melhores equipas do mundo, mas acho que, como jogadora, é sempre bom medir forças com as melhores.” Apesar das importantes lesões no plantel catalão, como Aitana e Patri, a guarda-redes benfiquista minimiza o impacto: “Não tentamos focar-nos nas jogadoras lesionadas do Barcelona, porque mesmo com ausências, o Barcelona tem um onze inicial muito forte e também jogadoras de nível mundial no banco.”
Questionada sobre a jogadora mais perigosa do Barcelona, Pauels não hesita: “Acho que, claro, a Ewa Pajor. É uma das melhores avançadas do mundo. Já a conhecia da liga alemã.” Contudo, também menciona a capacidade de finalização de Pina e Alexia, sublinhando a qualidade global do conjunto blaugrana.
Ambição e Foco na Liga dos Campeões
Para Lena Pauels, a preparação para este jogo não difere da habitual, apesar da sua magnitude: “Não, preparo todos os jogos da mesma forma. Não faço diferença entre a Liga dos Campeões ou o campeonato, todos são importantes.” A guarda-redes sabe que terá muito trabalho, mas vê o jogo como uma oportunidade: “Estou muito feliz por jogar contra o Barcelona porque é uma boa oportunidade para a equipa medir forças com as melhores. São os jogos que queremos jogar.”
A importância dos pontos é crucial para o Benfica, que somou apenas um nos últimos dois jogos da competição. “Este jogo contra o Barcelona é muito importante e vamos tentar ganhar… Sabemos que será muito difícil, mas nada é impossível e vamos lá para vencer porque precisamos dos pontos”, afirmou, rejeitando a ideia de entrar em campo para empatar: “Não entramos em campo para empatar, entramos para ganhar.”
O Desafio do Calendário e o Futuro do Futebol Feminino Português
O calendário do Benfica é exigente, com confrontos contra Barcelona, PSG e Sporting num curto espaço de tempo. Pauels destaca a necessidade de uma boa recuperação e força mental: “São semanas muito duras. Mas como disse, vemos cada jogo individualmente. Temos de recuperar bem, manter a cabeça limpa. Mas estes são os jogos que queremos jogar enquanto jogadoras.”
Sobre o desenvolvimento do futebol feminino em Portugal, a atleta alemã é clara: “Para ser sincera, ainda falta muita coisa, o que é normal quando se está a começar a crescer.” E aponta o caminho: “Acho que Portugal tem de investir mais no futebol feminino. No Benfica, Sporting, SC Braga já se vê evolução e foco na modalidade, mas precisamos de mais equipas fortes para tornar a liga mais competitiva e atrair melhores jogadoras.” Ela vê a evolução, mas alerta para a necessidade de “acelerar para não perder a ligação às ligas de topo na Europa.”
A Honra de Jogar no Benfica e a Adaptação a Lisboa
Na sua terceira época no clube, Lena Pauels expressa a sua satisfação: “O meu português está a melhorar. Ainda não é suficiente para uma conferência de imprensa, mas em expressões do futebol já entendo muita coisa.” Mais do que a língua, é a experiência que a cativa: “É uma grande honra jogar pelo Benfica, representar o clube na Liga dos Campeões. São jogos grandes, aqueles que sonhas jogar em criança. É incrível estar no Estádio da Luz e ouvir o hino da Liga dos Campeões. Estou a adorar o Benfica, é o maior clube de Portugal e sente-se isso através do apoio dos adeptos.”
Para surpreender o Barcelona, Pauels aposta na solidez defensiva e na velocidade: “Acho que já mostramos esta época que somos muito fortes a defender. Não sofremos muitos golos. Aí somos bastante sólidas. E depois temos de jogar rápido para a frente, porque acho que só se pode bater o Barcelona quando elas não estão bem organizadas. Temos de aproveitar esses momentos, jogar rápido.” A receita passa por ser “muito agressivas defensivamente e manter a equipa ligada” num jogo que será “muito bom para aprender e ver onde estamos.”