A polêmica dos gramados no futebol brasileiro está longe de ser apenas uma questão técnica. Segundo especialistas, a discussão entre gramados naturais e sintéticos tem raízes profundas em disputas políticas e interesses divergentes, ofuscando os aspectos puramente esportivos e de manutenção. A polêmica reacendeu após o Flamengo oficializar um pedido para que os campos artificiais sejam banidos do futebol nacional.
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) já avalia a criação de um grupo de trabalho para debater a qualidade dos gramados, diante da crescente pressão contra os pisos sintéticos. A alegação de que o gramado natural seria inviável em muitas realidades brasileiras, especialmente em termos de sustentabilidade e custo, é um dos pontos centrais do debate.
Argumentos técnicos e financeiros em xeque
O especialista, em entrevista, questionou a sustentabilidade financeira e técnica do gramado natural para todos os clubes. “Não se sustenta. Um dos lados que não se sustenta é o financeiro, e o técnico também”, afirmou, citando o Atlético Mineiro como exemplo de que o modelo natural se mostrou “quase que inviável” quando se consideram todas as variáveis de sustentabilidade. Ele ressaltou que nem todos os clubes possuem os recursos de equipes europeias como o Real Madrid, que investem pesadamente na manutenção de gramados de alta qualidade.
O especialista também abordou as diferentes gerações de gramados sintéticos, explicando que muitos clubes brasileiros utilizam pisos considerados mais defasados. Ele contrastou essa realidade com a preferência por gramados naturais ou híbridos em grandes ligas europeias e na Copa do Mundo, e comparou os custos de manutenção entre as diferentes superfícies, um dos tópicos levantados pelo Flamengo em sua demanda.
Avanços e defasagens dos pisos sintéticos
A discussão sobre a qualidade e a tecnologia dos gramados sintéticos é outro ponto relevante. Enquanto alguns países e competições de ponta optam por soluções mais modernas, o cenário brasileiro parece conviver com pisos que não acompanharam os avanços tecnológicos. Isso levanta questões sobre a real desvantagem técnica que esses pisos poderiam apresentar em comparação com os naturais, especialmente quando estes últimos demandam investimentos e cuidados que nem sempre são acessíveis.
O futuro dos gramados no futebol brasileiro
A decisão da CBF em considerar a criação de um grupo para debater o tema indica a relevância da questão. A pressão de clubes como o Flamengo pode influenciar a direção das políticas para os gramados nos próximos anos. Resta saber se o debate se concentrará em aspectos técnicos e de segurança, ou se as influências políticas e econômicas prevalecerão na definição do futuro dos pisos nos estádios brasileiros.





