“`json
{
“title”: “Exclusivo: Leonel Pontes, Diretor Técnico na China, Confessa ‘Sinto-me treinador todos os dias’ e Ambição de Voltar aos Relvados”,
“subtitle”: “Aos 53 anos, o madeirense detalha em entrevista exclusiva ao Flashscore sua experiência no Shanghai Shenhua, os avanços e desafios do futebol chinês, compara com a realidade portuguesa e projeta o futuro da Seleção Nacional, sem esconder o desejo de reassumir um comando técnico.”,
“content_html”: “
Aos 53 anos, o madeirense detalha em entrevista exclusiva ao Flashscore sua experiência no Shanghai Shenhua, os avanços e desafios do futebol chinês, compara com a realidade portuguesa e projeta o futuro da Seleção Nacional, sem esconder o desejo de reassumir um comando técnico.
Leonel Pontes, figura conhecida do futebol português com passagens pela formação do Sporting e pela Seleção Nacional, além de clubes como Marítimo e Covilhã, cumpre atualmente o seu terceiro ano como diretor técnico do Shanghai Shenhua, um dos principais clubes da China. Apesar da motivação nas funções atuais, o madeirense de 53 anos, que já tem proposta para renovar por mais duas temporadas, revela ao Flashscore a sua firme vontade de regressar aos relvados como treinador.
A Experiência em Shanghai: Transformação e Desafios
Pontes descreve a experiência no Shanghai Shenhua como “gratificante, muito exigente e intensa”. Desde a sua chegada, há dois anos e meio, o clube passou por uma significativa reestruturação, incluindo a criação de um departamento técnico com responsabilidades de decisão em toda a formação. O objetivo principal é formar jogadores para a equipa principal e para a seleção nacional.
“Começámos por construir as equipas técnicas multidisciplinares, dar-lhes formação, identificar talentos, definir um modelo de jogo e trabalhar na metodologia de treino”, explica Pontes. O clube investiu em recrutamento, num gabinete de análise e performance, e em tecnologia de ponta, como GPS e câmaras de filmagem, para monitorizar o rendimento dos jogadores desde os sub-15. Como resultado, o Shanghai Shenhua tem tido maior regularidade nas fases decisivas dos campeonatos, aumentou o número de jogadores nas seleções nacionais e fez estrear quatro jovens (entre 17 e 20 anos) na equipa principal, dois deles como titulares regulares.
A infraestrutura também está a ser renovada, com a previsão de conclusão em dezembro de 2026. “Os 11 relvados estão a ser melhorados, com criação de áreas de treino intensivo, iluminação e um novo sistema de regas”, detalha Pontes. Serão construídos dois ginásios, e todas as habitações, restaurantes e estruturas de apoio estão a ser modernizadas. “Queremos tornar o Shanghai Shenhua um clube de referência na qualidade das instalações, no trabalho desenvolvido nos escalões de formação e um clube que luta por títulos”, afirma.
Treinador vs. Diretor Técnico: Papéis Distintos, Valores Comuns
Questionado sobre as diferenças entre ser treinador e diretor técnico, Leonel Pontes salienta que são cargos “totalmente diferentes no que concerne ao tipo de tarefas a desempenhar e aos objetivos a cumprir”. No entanto, os valores e princípios de gestão de equipas permanecem os mesmos: exigência elevada, respeito, frontalidade e profissionalismo.
Enquanto o treinador foca na intervenção num modelo de jogo para uma equipa, na gestão de jogadores e equipa técnica, e na relação com a direção, imprensa e adeptos, o diretor técnico tem uma função mais abrangente. “O diretor técnico pode e deve orientar toda a filosofia de futebol de um clube”, explica. A sua função envolve a gestão de sete equipas técnicas, mais de duzentos jogadores e várias instalações, exigindo planeamento antecipado e constante adaptação. A complexidade logística de organizar competições, muitas vezes fora de Shanghai, com viagens e concentrações, eleva o nível de exigência para toda a estrutura.
O Futebol Chinês: Da Mega-Aposta à Reestruturação
O futebol chinês viveu uma fase de grande investimento em nomes consagrados entre 2000 e 2019, com apoio governamental e salários elevados. O objetivo era reabilitar o futebol, aumentar a qualidade dos espetáculos e o número de praticantes. No entanto, a falta de retorno financeiro, a corrupção e a pandemia levaram à falência de muitos clubes e a uma reestruturação do setor.
“Estão a ser dores de crescimento de um país que tem muito potencial, mas que as diferenças culturais e a maneira como se vê o processo de crescimento de jogadores está a limitar o desenvolvimento”, analisa Pontes. O jogador chinês demonstra talento entre os 10 e 15 anos, mas não consegue afirmar-se entre os 15 e 20, devido à falta de projetos, contextos competitivos e proteção dos atletas. “É urgente ter uma competição onde os jovens entre os 18 e 22 anos possam competir com adultos, de forma a aproximar o futebol profissional do futebol de formação”, defende.
Portugal: Referência Mundial e Candidato ao Título
Ao comparar a realidade chinesa com a portuguesa, Leonel Pontes destaca que, embora a China esteja à frente em instalações, Portugal é superior na organização interna e nos mecanismos que potenciam os jogadores ao alto rendimento. “Em Portugal e particularmente no Sporting, estamos melhor preparados e temos uma cultura de futebol de formação muito enraizada”, afirma, referindo-se aos anos de estudo, modernização de estruturas e a criação das equipas B e campeonatos de sub-23.
Sobre a Seleção Nacional, Pontes, que participou num Europeu (2012) e num Mundial (2014), sente-se “um privilegiado por fazer parte desta elite do futebol português”. Ele vê Portugal como uma seleção que “ganhou o respeito do mundo do futebol”, com regularidade nas fases decisivas e títulos conquistados. “A nossa seleção é formada por jogadores ambiciosos e habituados a lutar por títulos”, destaca. Para o Mundial-2026, embora não considere Portugal um favorito — apontando Argentina, França, Alemanha, Espanha e Brasil —, acredita que a equipa é uma “candidata” a chegar à final, desde que haja harmonia, boa preparação e liderança nos momentos cruciais.
O Regresso aos Relvados: Uma Ambição Presente
Apesar do seu sucesso como diretor técnico, Leonel Pontes não esconde a sua paixão primordial: “Sinto-me treinador todos os dias e ambiciono voltar aos relvados”. Com 40 anos dedicados ao futebol, ele sente-se bem preparado para a função, tendo atuado como treinador na formação, adjunto, principal e nacional em diversos contextos e países. “Ajudei muitos jovens a chegar ao alto rendimento, apostei e potencie muitos jovens jogadores e foi com os melhores que aprendi a ser melhor treinador”, recorda.
Com o contrato a finalizar no Shanghai Shenhua, onde já recebeu uma proposta de renovação por mais dois anos, Pontes quer “deixar trabalho feito e ajudar os jovens jogadores e os treinadores do Shanghai Shenhua a terem uma carreira virada para o alto rendimento”. Contudo, a oportunidade de voltar ao campo “está sempre presente”. O técnico fez questão de agradecer ao clube pela oportunidade profissional e de vida, bem como a José Pratas e Ricardo Sequeira pela colaboração na construção do departamento técnico.
“`