O Corinthians deu um passo significativo para estabilizar sua situação financeira ao fechar um acordo com o meia paraguaio Matías Rojas. A negociação, que envolveu a dívida do clube com o jogador, é crucial para afastar o risco de um novo “transfer ban”, uma punição que impede o registro de novos atletas.
Acordo crucial e quitação de dívidas
Matías Rojas aceitou a proposta do Timão e abriu mão dos juros adicionais sobre a dívida. Com isso, o valor principal de R$ 41,2 milhões foi mantido e será pago em duas parcelas, previstas para as últimas semanas de 2025. Esse acerto é fundamental para a diretoria corintiana, que busca eliminar a ameaça de futuras sanções. No entanto, o não cumprimento do novo acordo pode agravar a punição já em curso, referente aos R$ 33,4 milhões devidos ao Santos Laguna, do México, pela contratação do zagueiro Félix Torres, além de possíveis multas e juros.
Para sanar essas pendências, parte dos R$ 77 milhões recebidos pela conquista da Copa do Brasil será direcionada ao pagamento de Rojas. O restante do montante será utilizado para quitar a dívida com o Santos Laguna, além de cobrir o empréstimo e adiantamento de direitos televisivos junto à Liga Forte União (LFU). O clube também planeja destinar recursos para o pagamento de premiações atrasadas aos jogadores, como reconhecimento pelo cumprimento de metas esportivas.
Cenário financeiro atual e projeções para 2026
O cenário financeiro do Corinthians tem sido desafiador, com um balancete divulgado três dias antes da final da Copa do Brasil indicando um déficit de R$ 204,2 milhões até outubro. Contudo, as projeções para 2026, aprovadas pelo Conselho Deliberativo, são mais otimistas. O clube espera fechar o ano com um superávit de R$ 12 milhões e um Ebitda (Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 320 milhões.
Redução de custos e reestruturação
Mesmo com a classificação para a Libertadores, o Corinthians planeja uma drástica redução de custos em 2026. A meta é diminuir os gastos com o futebol de R$ 435 milhões para R$ 354 milhões, o que representa um corte de R$ 81 milhões apenas na folha salarial. Considerando outros custos, como despesas com serviços e jogos, a redução total no departamento de futebol deve atingir R$ 90 milhões.
Em um âmbito mais amplo, os custos gerais do clube, abrangendo outros setores, devem cair de R$ 505 milhões para R$ 410 milhões. Para alcançar esse objetivo, o presidente Osmar Stábile tem buscado cortes no clube social e chegou a cogitar a extinção de modalidades como o futsal, mas recuou após a repercussão negativa da ideia.
Venda de jogadores e futuro da diretoria
A arrecadação com a venda de jogadores também é uma meta ambiciosa, com o Corinthians visando R$ 151 milhões. Atletas da base, como o meia Breno Bidon e o atacante Gui Negão, estão no radar de clubes europeus e podem ser negociados. O goleiro Hugo Souza e o atacante Yuri Alberto também podem receber propostas do Velho Continente. A continuidade do executivo de futebol Fabinho Soldado, que interessa ao Internacional, ainda é incerta, adicionando mais um ponto de interrogação ao planejamento do Timão.