A trajetória de Corinthians e Vasco até a final da Copa do Brasil é marcada por uma impressionante capacidade de superação de crises políticas internas. Ambos os clubes, cada um à sua maneira, precisaram navegar por turbulentos períodos de instabilidade para, contra as expectativas, alcançarem a decisão do torneio nacional. Independentemente de quem erguerá a taça neste domingo, no Maracanã, o campeão será coroado após uma notável correção de rota.
Corinthians: Do Escândalo Vai de Bet ao Foco no Futebol
O Corinthians atravessou um dos períodos mais conturbados de sua história recente. A ruptura com a gestão de Andrés Sanchez e o subsequente impeachment do ex-presidente Augusto Melo, por irregularidades no contrato com a Vai de Bet, mergulharam o clube em um escândalo que chegou à esfera policial, com suspeitas de envolvimento com o crime organizado. A situação resultou em trocas constantes de dirigentes e em processos criminais contra o ex-mandatário e outros diretores.
Blindagem do CT e Impacto no Elenco
Diante do caos político, o vice-presidente Osmar Stábile assumiu a presidência e priorizou a blindagem do Centro de Treinamento Joaquim Grava, buscando evitar que a instabilidade externa contaminasse o elenco. Mesmo assim, o meia Rodrigo Garro admitiu que os jogadores não conseguiam se alhear completamente aos problemas: “A guerra política do Corinthians, infelizmente, atrapalha o nosso trabalho. Mas dentro do CT a gente tem um clima muito bom, o grupo está fechado”, comentou na época.
Dívidas, Transfer Ban e Resposta em Campo
Os problemas se agravaram com o expressivo aumento da dívida total, que atingiu R$ 2,7 bilhões, dificultando o cumprimento de compromissos de curto prazo e a busca por novas receitas. Para piorar, o clube sofreu um transfer ban imposto pela FIFA, impedindo o registro de novos jogadores desde setembro, e acumula mais de R$ 120 milhões em condenações por não pagamento em negociações de transferências. Apesar das eliminações na pré-Libertadores e Sul-Americana e de uma campanha modesta no Campeonato Brasileiro, o Corinthians demonstrou resiliência em momentos cruciais, como na conquista do Paulistão e em vitórias importantes na própria Copa do Brasil.
Vasco: Do Vácuo de Liderança à Estabilidade sob Diniz
Para o Vasco, chegar à final da Copa do Brasil tem um simbolismo especial: pode ser o primeiro título de expressão nacional após a era Eurico Miranda. O caos político, que levou o clube a cinco rebaixamentos para a Série B no século XXI, ganhou novos contornos com a frustrada parceria da 777 Partners no controle da SAF.
Fim da Parceria com a 777 e Retomada do Controle
A relação com a 777 Partners, que assumiu a SAF em 2022 com promessas de estabilidade e profissionalização, deteriorou-se rapidamente devido a atrasos em aportes e decisões questionadas. O impasse culminou em disputas judiciais e na perda de poder da empresa sobre o futebol, deixando o Vasco em um vácuo de liderança. Em janeiro de 2024, o ex-jogador Pedrinho assumiu a presidência e, diante da crise da 777, retomou o controle do futebol na Justiça, alegando o aumento da dívida total para R$ 1,4 milhão e devolvendo uma sensação mínima de ordem ao clube.
Fernando Diniz e o Elenco Competitivo
Dentro de campo, Pedrinho buscou estabilidade com a contratação de Fernando Diniz em maio. Apesar de um elenco limitado, o treinador conseguiu extrair o máximo de peças fundamentais como o goleiro Léo Jardim, o lateral Paulo Henrique, o jovem Rayan, o artilheiro Pablo Vegetti e Philippe Coutinho, que foram cruciais para a campanha na Copa do Brasil.
Vasco e Corinthians decidem o título da Copa do Brasil neste domingo, às 18h, no Maracanã. Após o empate em 0 a 0 no primeiro jogo na Neo Química Arena, uma nova igualdade levará a decisão para os pênaltis.