O Comitê Olímpico de Portugal (COP) traçou, em sua mensagem de Ano Novo, uma visão ambiciosa para o desporto nacional em 2026, defendendo a implementação de “políticas que vejam além do pódio” para garantir estabilidade e futuro ao setor. A iniciativa, liderada pelo presidente Fernando Gomes, sublinha a urgência de um investimento coletivo e parcerias robustas entre diversas esferas da sociedade.
Contratos Plurianuais e Parcerias Estratégicas para a Estabilidade
A mensagem do COP enfatiza que o desporto é um investimento coletivo e que a transformação da ambição em impacto real depende de “parcerias fortes entre o Estado, as autarquias, as universidades, as empresas, as federações, os clubes e, claro, a sociedade em geral”. Para alcançar a tão desejada estabilidade, o Comitê propõe medidas concretas, como a celebração de contratos plurianuais com as federações. Estas parcerias visam não só promover a saúde e prevenir doenças, mas também oferecer alternativas profissionais a jovens que dedicam sua juventude à superação desportiva.
Marcos de 2025 e o Horizonte de 2026
Fernando Gomes recordou os êxitos de 2025, destacando as oito medalhas (três ouros, duas pratas e três bronzes) conquistadas por atletas portugueses em Mundiais de modalidades olímpicas, abrangendo o atletismo, canoagem, judo, surf e triatlo. Houve também um aumento no número de atletas nos projetos olímpicos e nas esperanças olímpicas, além da transferência de 10 milhões de euros para a requalificação de Centros de Alto Rendimento e um aumento de 30% no financiamento para a preparação olímpica.
Olhando para 2026, o calendário desportivo será marcado por eventos de grande relevância, como os Jogos Olímpicos Milão-Cortina, os Jogos do Mediterrâneo Taranto e os Jogos Olímpicos da Juventude Dakar. Estes são vistos como oportunidades cruciais para “afirmar a capacidade” de Portugal no cenário desportivo internacional.
Trajetórias Duradouras: Rumo a Los Angeles 2028 e Brisbane 2032
A visão do COP transcende os resultados imediatos. “Não são resultados pontuais que procuramos, são percursos sustentados que formam campeões e cidadãos”, afirma Gomes. A prioridade é a construção de trajetórias duradouras, com o olhar já focado em Los Angeles 2028 e Brisbane 2032, evidenciando um planejamento estratégico a longo prazo para o desenvolvimento dos atletas e do desporto em geral.
Novas Fontes de Financiamento e Apoio ao Desporto
Fora do âmbito competitivo, o COP delineou objetivos cruciais para o ano. A defesa de um reforço no apoio às atividades regulares das federações passa pela alteração do método de distribuição das verbas provenientes das apostas desportivas. Além disso, o Comitê insiste na criação de um Fundo de Desenvolvimento Desportivo, destinado a modalidades que não se beneficiam diretamente desse bolo financeiro.
Outras metas incluem o aumento do número e valor das bolsas de apoio aos atletas, a reforma do Estatuto do Dirigente Desportivo em regime de voluntariado e a alteração da Lei do Mecenato. Esta última visa ampliar os benefícios fiscais para empresas que desejam investir e apoiar os atletas portugueses, incentivando o setor privado a contribuir ativamente para o desenvolvimento desportivo nacional.