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Campeã de xadrez iraniana no exílio relata angústia com repressão e corte de internet em seu país natal

Campeã De Xadrez Iraniana No Exílio Relata Angústia Com Repressão E Corte De Internet Em Seu País Natal

A vida no exílio e a busca por notícias

Mitra Hejazipour, uma das melhores enxadristas do Irã, vive em Paris há cinco anos após fugir do país. Ela descreve o início de 2026 como um período de profunda angústia, marcado pelos protestos antigovernamentais em seu país e pela brutal repressão das autoridades. A dificuldade de comunicação com sua família se agrava com os cortes de internet e telefone impostos pela República Islâmica.

O impacto da repressão e a esperança por um Irã livre

Em entrevista à AFP, Hejazipour compartilhou relatos angustiantes recebidos de uma amiga que trabalha em um hospital no Irã. “Ela me disse que havia muitos feridos por bala, principalmente nos olhos. E muitos mortos. Estava tão deprimida que tinha dificuldade de falar sobre o assunto”, relatou a jogadora. Apesar da dor e da dificuldade em realizar atividades cotidianas como dormir e comer, ela afirma que os iranianos “resistem”, com a esperança de que o sacrifício de seu povo não seja em vão.

A queda do regime e a figura de Reza Pahlavi

Hejazipour expressou convicção de que os dias da República Islâmica estão contados, devido à crescente mobilização e raiva do povo iraniano. Ela acredita que o regime cairá em breve, seja amanhã ou em um ano. A jogadora, que se tornou cidadã francesa e foi campeã nacional iraniana em 2023, vê Reza Pahlavi, filho do último xá do Irã, como uma “figura unificadora” capaz de guiar o país em uma transição para um sistema democrático.

A autobiografia e a fuga do véu

Em sua autobiografia, “A Jogadora de Xadrez”, publicada na França, Hejazipour narra sua infância em Mashhad e sua ascensão no mundo do xadrez, esporte que descreve como um refúgio. Ela relata o momento em que decidiu deixar o Irã em 2019, sentindo que o país “infeliz” não era mais seu lar. O ato de recusar-se a usar o véu durante uma competição em Moscou naquele ano simbolizou sua ruptura com as imposições do regime. Apesar de ter encontrado uma boa recepção na França, ela admite que reconstruir a vida no anonimato é um desafio.

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