O ano de 2025 será lembrado na história do futebol português como um período de profundos contrastes, onde a glória da conquista se misturou à dor da perda. A seleção nacional festejou a vitória na Liga das Nações, garantindo o terceiro título de sua história e a sétima qualificação consecutiva para uma fase final de Mundial. Contudo, a alegria foi ensombrada pela trágica morte do atacante Diogo Jota, aos 28 anos, em um acidente de viação que chocou o país.
A Conquista Inesperada da Liga das Nações
Em uma reviravolta que poucos esperavam, Portugal, sob o comando de Roberto Martínez, sagrou-se campeão da Liga das Nações em solo alemão. A jornada começou de forma desafiadora, com uma derrota por 1 a 0 para a Dinamarca na primeira mão dos quartos de final. A exibição pálida da equipe em março, logo após a eleição de Pedro Proença para a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e em meio a rumores sobre José Mourinho, gerou incertezas.
No entanto, a equipe demonstrou resiliência. Na segunda mão, em Alvalade, o improvável herói Trincão, com um bis, liderou a virada para um 5 a 2 após prolongamento. Nas meias-finais, em Munique, a seleção das Quinas fez história ao vencer a Alemanha por 2 a 1, sua primeira vitória em solo germânico contra a Mannschaft. A final contra a campeã europeia Espanha foi um espetáculo de emoções, terminando em 2 a 2 e decidida nos pênaltis, onde Rúben Neves marcou o gol decisivo, garantindo o título.
A conquista consolidou a posição de Martínez, que, além do título, já havia levado Portugal à maior goleada de sua história em 2023 (9 a 0 no Luxemburgo) e, em 2025, à segunda maior (9 a 1 sobre a Armênia) na qualificação para o Mundial.
O Luto pela Partida de Diogo Jota
A euforia da vitória na Liga das Nações, celebrada em 8 de junho, foi abruptamente interrompida menos de um mês depois. Em 3 de julho, a notícia da morte de Diogo Jota, atacante do Liverpool e peça fundamental da seleção, em um trágico acidente de viação, abalou Portugal. Com apenas 28 anos, Jota deixava um legado de talento e dedicação. Sua 49ª e última internacionalização ocorreu justamente nos 14 minutos finais do prolongamento da final da Liga das Nações, um triste epitáfio para sua carreira na seleção, que também vitimou seu irmão, André Silva.
Rumo ao Mundial: Recordes e Novas Caras
Apesar do luto, a seleção portuguesa manteve o foco na qualificação para o Campeonato do Mundo, com um desempenho dominante. Com apenas seis jogos, Portugal garantiu o primeiro lugar no Grupo F, com goleadas expressivas. Após um 5 a 0 sobre a Armênia na primeira jornada, a equipe esmagou o mesmo adversário por 9 a 1 no Estádio do Dragão, carimbando sua vaga com estilo.
Cristiano Ronaldo, o maior goleador da história do futebol de seleções (143 gols), continuou a quebrar recordes. Em Alvalade, atingiu 41 gols em fases de qualificação para Mundiais, tornando-se o maior marcador nesse quesito em todas as confederações. Contudo, 2025 também marcou sua primeira expulsão com a camisola das Quinas, na derrota por 2 a 0 para a Irlanda, e o afastamento de jogos importantes devido a suspensão, como o 9 a 1 contra a Armênia.
O ano de 2025 também apresentou uma única nova face na seleção: Carlos Forbs, que vestiu a camisa número 7 e se tornou o 14º internacional da era Martínez. Quenda e Rodrigo Mora, embora convocados para a Liga das Nações, não chegaram a estrear. O ano encerrou-se com a despedida de Rui Patrício, o goleiro mais internacional de Portugal, com 108 jogos e figura emblemática nas conquistas do Euro-2016 e da primeira Liga das Nações.
O Cenário Político e a Confirmação de Martínez
A eleição de Pedro Proença na Federação Portuguesa de Futebol (FPF) trouxe consigo uma onda de especulações sobre o futuro da seleção, com rumores apontando José Mourinho como o preferido para o cargo de selecionador nacional. No entanto, a conquista da Liga das Nações por Roberto Martínez, alcançada de forma quase inesperada, reforçou a sua posição e calou as vozes que pediam uma mudança no comando técnico, mostrando que o espanhol era, afinal, o homem certo para levar Portugal ao Mundial de 2026.
Assim, 2025 se consolidou como um ano de dualidades para o futebol português, entre a festa de um título inédito e a dor de uma perda irreparável, mas sempre com a paixão e a resiliência que caracterizam a seleção das Quinas.





